Na falta de algum bicho exótico para adivinhar tudo sobre a Copa, lá vou eu: após épica batalha contra a Alemanha na semi, o Brasil amarga disputa de terceiro/quarto lugar (e com a Argentina, derrotada pelos espanhóis). Vemos a irritantemente eficiente Espanha, de novo, numa final. Com os irritantemente inabaláveis germânicos. Campeã será...
Aí faz falta o polvo Paul. Aquele molusco (alemão) que teria adivinhado resultados de sua seleção na Copa da África do Sul. Acertou também a final entre Espanha e Holanda naquele quase já distante 2010. Paul is dead (ao menos não é o McCartney, vivíssimo, apesar de uma recente virose).
Vidências à parte, torço pelo Brasil. E ainda mais pelo País Brasil. Seja como for, essa Copa já entrou para a história como aquela em que coisas ruins (talvez) poderiam ter sido evitadas (minimizadas).
A ESPN fez o exercício de imaginação e voltou no tempo: assim que anunciado o Brasil em 2007 como sede para 2014, o povo (não o polvo) imediatamente tomou as ruas brazucas. O resultado da ágil e oportuna pressão foi a redução de gastos previstos com estádios; competência e transparência nas obras dos entornos; e blindagem do dinheiro público contra descalabros.
A Copa, enfim, chegou a 2013/2014 sem vandalismos nas esquinas, sem dor ou confusão. Tudo de bom. Só que não. E a Copa das greves e dos protestos está aí.
Também é a Copa das ausências: de craques machucados, como o francês Francês Ribéry. E de brasileiros ligados à cobertura esportiva, que partiram de vez neste ano: Luciano do Valle (Band), Maurício Torres (Record), Fernandão (SporTV).
Restará espaço para a Copa da alegria? Tomara. A bola do torneio está com os atletas, mas a bola da vez fica com o povo (não o polvo). Espero que assim esteja também em outubro, na Copa das Urnas. Aquela que, no fim das contas, tudo decide. Sem futurologias.
O autor é editor executivo do JC