Os passeios turísticos em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) não estão sendo afetados com a redução do calado - a distância entre a parte inferior das embarcações e a linha de flutuação - determinado pela Marinha do Brasil aos comboios de cargas na hidrovia Tietê-Paraná. A partir de quinta-feira (5) passou o calado para 0,60 metro no Canal de Nova Avanhandava. Isso só interrompe a navegação para cargas, que já estava comprometida na semana passada quando houve redução para 1 metro.
O calado mínimo exigido para a navegação é de 2,20 metros, abaixo disso a operação dos comboios fica prejudicado. No dia 9 de maio, o calado da hidrovia passou para 2 metros com ondas de vazão - manobra onde se turbina a geração de energia em Nova Avanhandava para aumentar o nível do rio e auxiliar na passagem do comboio pela eclusa. Com isso apenas 7 das 21 embarcações que utilizam a hidrovia neste trecho de longo percurso conseguiam passar pelo ponto crítico, localizado entre a usina de Três irmãos e Nova Avanhandava. Agora 21 embarcações estão paradas sem previsão de quando volta o tráfego fluvial.
O presidente do Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo (Sindasp), Luiz Fernando Horta Siqueira, declarou ao JC que a interrupção na navegação ocorreu por causa de um trecho de menos de 10 quilômetros entre Avanhandava e Pereira Barreto, que necessita de obras de derrocamento - retirada de rochas do fundo de um rio com a finalidade de tornar a navegação possível. Desde quando foi construída umas das represas não foi aprofundado o leito do rio. Há projeto de investimentos para remover essas pedras, mas cuja obra deve demorar pelo menos dois anos. “Nunca tinha ocorrido uma interrupção de 100% na navegação na hidrovia”, declarou.
Desde fevereiro, o escoamento pela Tietê-Paraná está comprometido pela estiagem. Com a seca, a navegação pela hidrovia está restrita.
Segundo Siqueira, não está sendo observado o uso múltiplo das águas, desviadas para as usinas hidrelétricas para gerar energia. “A água não é apenas para gerar energia, irrigação ou outra coisa. Deveria haver uma gestão desse recurso hídrico. A prioridade é a geração de energia”, declara.
A Caramuru Alimentos teve que desviar boa parte dos grãos para outros modais - ferrovia e rodovia - para garantir o transporte de seus produtos. A reportagem procurou a assessoria de imprensa da empresa, maior processadora nacional de grãos, do qual informou que somente o sindicato dos Armadores de Navegação é que se pronuncia sobre os prejuízos no escoamento.
Noticiário repercute mal em Barra Bonita
Os operadores de barcos de turismo de Barra Bonita estão preocupados com o noticiário que vem sendo difundido em TVs e jornais de restrição à navegação na hidrovia Tietê-Paraná. A suspensão dos comboios atinge só embarcações de carga. O setor paralisado é de Nova Avanhandava até Pederneiras de transporte de grãos e celulose.
O reservatório de Barra Bonita está com a vazão normal. “Infelizmente as pessoas entendem que a hidrovia está parada como um todo. Isso provocou a redução do agendamento de viagens e prejuízos ao setor”, declara Helio Palmesan.
Três empresas operam com pelo menos três viagens diárias.
Para Barra Bonita, este é um setor que atrai a visita de muitas pessoas de cidades da região e da capital.
Segundo Palmesan, o transporte de areia continua utilizando a hidrovia normalmente.
“Conseguimos operar aqui com os níveis mínimos, porque os barcos de turismo têm pouco calado, além da eclusa ter sido projetada para operar com volume mínimo de água”. explica.
Pela capacidade de armazenagem do reservatório, Barra Bonita não enfrenta tanta dificuldade como na região de Pereira Barreto.