08 de julho de 2026
Regional

MST interdita parcialmente a Bauru-Jaú

Lilian Grasiela e Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis

Integrantes do MST interditaram parcialmente a rodovia Bauru-Jaú, na manhã desta segunda-feira (9)

Na manhã desta segunda-feira (9), por aproximadamente uma hora, cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) interditaram parcialmente a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú, em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) para cobrar agilidade no assentamento e cesta básica. Na região de Assis, cerca de 300 sem-terras completaram o segundo dia da marcha em defesa da agricultura (leia mais abaixo).

A manifestação em Pederneiras teve início por volta das 9h15, na altura do quilômetro 215, e foi pacífica. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, o grupo bloqueou as duas faixas da rodovia no sentido Pederneiras-Bauru, o que gerou congestionamento de dois quilômetros.

Os manifestantes fazem parte do acampamento “Sonho Meu”, que possui 200 famílias e fica próximo ao Horto Florestal. Com faixas e cartazes nas mãos, eles cobram a reforma agrária e a entrega de cestas básicas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Durante o protesto, os acampados atearam fogo em pneus e entulho. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi acionada para controlar as chamas e viaturas da Polícia Militar Rodoviária acompanharam de longe a manifestação, que terminou por volta das 10h30, com a liberação da rodovia.

Terra e comida

Ricardo Rodrigues, coordenador do protesto, revela que, além das cestas e da liberação da terra para assentamento, as famílias reivindicam o uso do cadastro público como critério para a distribuição de terras. “Eles marcaram com a gente uma reunião na sexta-feira, às 10h, em São Paulo, na sede do Incra, para terminar de acertar o assentamento”, explica.

Segundo a assessoria de imprensa da Centrovias, concessionária que administra a rodovia, a interdição de pouco mais de uma hora provocou congestionamento de três quilômetros no sentido Pederneiras-Bauru. “Após ser liberada ao tráfego, a rodovia levou cerca de 40 minutos para ter as condições normalizadas”, afirma.


Reunião

A assessoria de imprensa do Incra informou que a postura do órgão é de diálogo com os movimentos sociais. “Está agendada reunião com os acampados na sexta-feira (13), em São Paulo, na Superintendência Regional do Incra. Esclarecemos, ainda, que se trata de acampamento recente, de março de 2014, ainda não cadastrado pelo Incra”, afirma.


 

Douglas Reis

MST realiza protesto na SP-225 e interdita a faixa do sentido Pederneiras-Bauru; PM Rodoviária e Corpo de Bombeiros acompanham a manifestação

Marcha pela reforma agrária percorre 51 km

A Marcha Nacional em Defesa da Agricultura, que começou no domingo, em Assis, chegou ao segundo dia nesta segunda-feira (9), com adesão de aproximadamente 600 pessoas. Liderados por José Rainha Juniur, integrantes da Frente Nacional de Luta (FNL) cobram do governo federal o cumprimento da promessa de reforma agrária para 35 mil sem-terras.

Depois de caminhar por  51 quilômetros, o grupo passou por Cândido Mota e chegou a Salto Grande. Nesta terça-feira (10), os manifestantes devem chegar a Ourinhos, de onde seguirão para Santa Cruz do Rio Pardo. Na sequência, eles partirão em marcha pela rodovia Castelo Branco (SP-280) até São Paulo, com previsão de chegada no dia 4 de julho.

Ari José Redondo, acampado na Fazenda Geada e um dos coordenadores da FNL em Agudos, conta que o grupo percorre, em média, 15 quilômetros por dia. “Conforme eles vão caminhando, vai aumentando o número de pessoas”, revela. “Quando o grupo entrar em São Paulo, serão 30 mil pessoas”.

De acordo com ele, a meta da FNL é cobrar agilidade na reforma agrária. Na Capital, os manifestantes esperam ser recebidos pela presidente ou por algum representante do governo federal que possa assumir efetivamente compromisso de intervir a favor das famílias que aguardam por assentamento.

“A Dilma (Rousseff) fez várias promessas este ano a respeito de reforma agrária. No projeto Safra 2014, o governo liberou R$ 24 bilhões para reforma agrária e agricultura familiar, ou seja, aquelas pessoas que já estão assentadas e novos assentamentos”, explica.