Aproximadamente 70 grevistas bauruenses, entre professores, universitários e funcionários da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP) seguem, hoje, em caravana com destino à Capital para um ato que reivindicará o agendamento de uma reunião junto ao Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp).
Trata-se de mais uma tentativa dos grevistas de reverter a decisão do Conselho de não conceder reajuste aos docentes e servidores técnico-administrativos na data-base deste ano, sob alegação de alto comprometimento do orçamento com folha pagamento e baixa arrecadação de ICMS até o momento.
Na última semana, uma caravana, também de Bauru, fez parte de um protesto que reuniu centenas de pessoas em São Paulo pela reabertura das negociações.
Na ocasião, o Cruesp informou que agendaria nova reunião com o Fórum das Seis (que reúne os diretórios estudantis, associações de docentes e sindicatos de trabalhadores das estaduais paulistas), desde que o movimento não causasse obstruções e ocupações nas dependências das universidades. No entanto, o órgão não estipulou datas e nem horários para a reunião em questão.
Esperando respostas, o novo ato hoje pretende acelerar a reunião que, se alcançar resultados positivos, pode culminar com o fim da greve.
Conforme o JC vem noticiando, os protestos por mais condições e transparência nas universidades públicas têm o apoio dos sindicatos dos funcionários da USP e Unesp e de professores da Unesp de Bauru, além do movimento estudantil. O movimento ocorre em vários câmpus destas instituições e também da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Reivindicações
O reajuste é tema das principais reivindicações tanto por parte do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), que aponta ter 70% de adesão do corpo técnico-administrativo do câmpus de Bauru, quanto da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), que diz que, ao menos, 90% dos professores da unidade estão parada por conta do movimento.
Ambas categorias possuem pautas específicas, mas pedem, principalmente, por reajuste salarial de, pelo menos, 10% (7% referente à inflação e mais 3% de perdas salariais históricas) e pela isonomia salarial nas três instituições.
“Não queremos esse arrocho salarial. Sem o reajuste mínimo de 7% referente à inflação, nosso salário passa a ficar negativo. O orçamento não acompanhou a abertura de novas unidades. A Unesp cortou até as contratações de professores e funcionários previstas para este ano”, revela Milton Vieira do Prado Junior, representante da Adunesp.
“Vivemos uma política do estrangulamento pedagógico. Trabalhamos 50 horas semanais. Há exigência de produção, extensão, pesquisa, gestão, aulas para graduação e pós-graduação. Temos que reverter esse 0%. Estamos na defesa pela qualidade da universidade pública”, completa Dino Magnoni, também do Adunesp.
Funcionário há 30 anos da Unesp, José Castelli também reclama. “A cada ano, só piora. Isso é um desrespeito com o trabalhador”, frisa o servidor, que é coordenador jurídico do Sintunesp.
Já na USP, mais de 50 servidores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da prefeitura do câmpus e do Centrinho também estão em greve, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). A reinvindicação deles também corresponde ao reajuste salarial de aproximadamente 10%.
Alunos
O protesto também tem adesão de quase 100% do corpo discente da Unesp que, entre outras pautas, pede a revogação do corte de 50% das bolsas de extensão do câmpus, abertura do restaurante universitário (RU) e fim da sindicância contra funcionários e alunos por outros movimentos anteriores.
“Queremos um restaurante com a capacidade máxima de refeições e sem terceirização e a abertura do segundo bloco de moradias estudantil”, acrescenta Júlia Vieira da Conceição. “Também lutamos pela paridade dentro dos órgãos colegiados. Hoje, os professores representam 70%, os funcionários 15% e nós, alunos, 15%, ou seja, não temos força nenhuma de decisão”, completa Felipe Sena de Assis.