Estamos no dia do evento que sempre mobilizou e uniu a maioria dos brasileiros, despertando aquele sentimento que deveria estar presente no dia a dia: o do orgulho das cores verde e amarelo. Mas o que aconteceu com a Copa das Copas? Onde foi parar esse sentimento? Engolido, sufocado ou dispersado pela forma que a mesma foi idealizada e administrada?
Que temos outras prioridades e não poderíamos sediar um evento com essa magnitude, enquanto a educação propositalmente vai de mal a pior e a saúde morre às mínguas, nem precisa ser discutido. Que já somos campeões em desperdício, atrasos, improvisos e, consequentemente, em decepção e péssima imagem ao Exterior, isso também não se questiona. Esses títulos já são nossos, sem nenhuma dúvida.
Muito se critica a entidade Fifa, mas foi ela quem escolheu 12 sedes? Não. Ela exige 8, como nas outras copas. Vale-se destacar que o governo queria 17. Também não foi a Fifa quem pediu isenção total dos impostos. Só pediu redução das taxas (e não isenção) em alguns produtos necessários para a organização do evento. Foi o nosso governo, que tem recursos "de sobra", que ofereceu.
Vamos ainda a uma conta rápida. Gastamos pelo menos o dobro (100% a mais) que os últimos dois países que receberam a Copa e temos 50% a mais de cidades sedes (12 contra 8), ou seja, 50% a mais de sedes é igual a 50% a mais de gastos, correto? Mas por que gastamos o dobro? Onde está a diferença (100% x 50%)? Precisa responder? Mais um título, então. Quanto a esse, nem vamos citar para não estragar de vez o clima.
Pelo menos a Copa deixará um belo legado... Também não, nem isso. Trará apenas um pífio retorno perante aos grandes investimentos realizados. É muita incompetência mesmo.
Então, hoje, na hora do jogo, vou fazer outra coisa ou torcer contra, correto? Errado!!! Vou reunir a família e amigos, me vestir de verde e amarelo, e torcer como sempre fiz para a nossa seleção (até ficar rouco), e sabem por quê?
- Sou um amante do futebol, como a maioria dos brasileiros, e não vou deixar que enterrem essa forma a minha paixão;
- Pagamos caríssimos por uma festa, superfaturada, e vou rasgar o convite?
- A resposta tem que ser dada nas urnas e não nas ruas contra turistas, imprensa ou jogadores e nem mesmo com boicote a algo que é cultural: o futebol.
Portanto, vai ter Copa, sim. Restam-nos também, como cidadãos e empresas que pagamos os nossos impostos (bem altos) e, portanto, estamos em dia com nossas consciências, cidadanias e responsabilidades, passar uma boa imagem ao resto do mundo ou, na pior das hipóteses, minimizar o estrago causado. Pra frente, Brasil (não só na seleção).
O autor é consultor em Empreendedorismo e Finanças