México e Camarões, os próximos adversários do Brasil pelo Grupo A da Copa do Mundo, fazem hoje, na Arena das Dunas, em Natal, a segunda partida do Mundial, às 13h. As duas seleções fizeram ontem treinos de reconhecimento no gramado do estádio da capital do Rio Grande do Norte e confirmaram suas escalações.
O time titular mexicano que irá a campo foi mantido em sigilo pelo técnico Miguel Herrera - até a coletiva de imprensa, concedida após o treino no estádio da estreia. Herrera deixará no banco o atacante Javier Chicharito Hernández, do Manchester United, e escalará a dupla de frente com Giovani dos Santos, do Villarreal, ao lado de Oribe Peralta, estrela do Santos Laguna e carrasco da Seleção Brasileira nas Olimpíadas de Londres, em 2012.
Outra dúvida no time mexicano era o nome do goleiro titular. O escolhido foi Guillermo Ochoa, do Ajaccio. Na entrevista de ontem, ele confirmou que a decisão foi tomada pelo treinador já no domingo e comunicada ao grupo na segunda-feira, mas Herrera preferiu manter mistério até a véspera da partida.
MAIS QUE VELOZES
Pelo lado camaronês, a esperança de uma vitória repousa nos pés e na cabeça de Samuel Eto’o. O astro participou de um treino realizado pela equipe também na Arena das Dunas, mas recusou-se a passar pela zona mista, área de conversa com os jornalistas. Eto’o deixou o estádio antes mesmo do fim da coletiva do técnico Volker Finke.
Falando pelo time, o alemão Finke pediu para que seja deixada para trás a ideia de que os camaroneses são apenas “velocistas”. O técnico fez uma comparação com os estereótipos associados à seleção de sua terra natal. “Também diziam que a Alemanha era apenas jogo físico. Mas isso não é verdade. Desde 2002, pelo menos, jogamos o chamado futebol bonito”.
Finke não se aprofundou no desentendimento entre jogadores, governo e federação sobre os prêmios pela participação na Copa do Mundo. O impasse quase provocou uma greve, e a equipe chegou a se recusar a embarcar, atrasando em 12 horas a partida para o Brasil. Durante a chegada da delegação camaronesa ontem ao estádio, um integrante da comissão técnica - que pediu para não ser identificado - disse que “o problema é a Federação. A Federação é que sempre transforma tudo em política”.
PELA VITÓRIA
Os dois times consideram a partida crucial para qualquer ambição de seguir adiante no Mundial. O técnico mexicano quer a vitória para evitar que “todas as partidas seguintes virem obrigação”. O veterano defensor Rafa Márquez, do Barcelona, vai para sua quarta Copa do Mundo e usará a braçadeira de capitão na partida desta sexta. Ele falou sobre sua experiência de outros três Mundiais e revelou o que deseja para os companheiros mais jovens de equipe: “Eles devem aproveitar. Aproveitar, ao máximo, essa oportunidade. É uma vitrine para todos nós. Para muitos, é uma oportunidade para subir de nível, para que muitas outras equipes vejam seu nível”, disse.
Márquez também disse que se surpreendeu com a recepção dos brasileiros. “Na verdade, ficamos surpresos com o tratamento que recebemos do povo no Brasil. Estamos muito agradecidos, foram todos muito carinhosos”. O capitão mexicano tentou minimizar o efeito do calor pelo horário da partida, afirmando que muitos dos mexicanos já estão acostumados com altas temperaturas e umidade nos jogos que disputam.
Iniciado o treino de reconhecimento na Arena das Dunas, no entanto, menos de 10 minutos haviam se passado quando boa parte da equipe começou a pedir garrafas de água para os auxiliares da comissão técnica.
Grupo B
Ataque é aposta do Chile na estreia contra a Austrália
Eduardo Vargas e Alexis Sánchez são uma boa dupla de ataque, à altura daquela formada por Salas e Zamorano, e dão esperança ao Chile, que estreia hoje contra a Austrália, às 19h (de Brasília), na Arena Pantanal, em Cuiabá. A seleção sul-americana sonha com voos mais altos no Mundial - apesar do difícil grupo com Espanha e Holanda.
O técnico Jorge Sampaoli, adepto do mistério, não permitiu que a imprensa assistisse seus treinos mais importantes. Mas não é segredo nenhum que ele arma o Chile ancorado nesses dois atacantes rápidos e goleadores. Vargas tem 24 anos, 14 gols pela seleção chilena (em 30 jogos) e atua no Valencia, da Espanha. Aos 25 anos, Sánchez soma 22 gols (em 67 jogos) e é parceiro de Neymar no Barcelona. Em comum, o estilo de jogo: são velozes e jogam pelas pontas. Sánchez é mais driblador.
Caberá ao meia Valdivia, ídolo do Palmeiras e camisa 10 da seleção, fazer a ligação entre o meio de campo e o ataque.
O Chile não pode falhar na sua estreia. No planejamento feito pelo treinador, os três pontos de hoje são a única maneira de o time ganhar fôlego para brigar de igual para o igual contra Espanha e Holanda.
Os australianos, em tese, são franco-atiradores. Não têm a pressão para se classificar. O experiente atacante Tim Cahill, do New York Red Bulls (Estados Unidos), falou que seu time deve ser ofensivo diante do Chile. Mas a verdade é que a equipe do grego Ange Postecoglou deve jogar defensivamente, para perder de pouco ou empatar.
JOGO QUENTE
Espanha e Holanda fazem hoje, às 16h, na Arena Fonte Nova, em Salvador, o primeiro grande clássico da Copa do Mundo. Será uma reedição da final na África do Sul, há quatro anos - pela primeira vez na história, os finalistas de um Mundial se enfrentam já na primeira rodada da Copa seguinte. A expectativa pela partida é enorme na capital baiana. A procura por ingressos foi uma das maiores do Mundial e as entradas foram uma das primeiras a se esgotar.
O jogo será um confronto de estilos. De um lado, os espanhóis, que, sem pressa, buscam espaços na defesa adversária com o seu insistente e envolvente toque de bola. Do outro, a força dos holandeses, que partem para o contra-ataque com a eficiência de pouquíssimas seleções na atualidade.
O favoritismo pende para os espanhóis, atuais campeões do mundo e bi da Europa, mas a tendência é de um partida muito equilibrada, já que a Holanda conta com craques como Robben, Van Persie e Sneijder, que podem desequilibrar qualquer partida.
O duelo de hoje é considerado chave para as duas equipes. Quem vencer estará com a classificação praticamente garantida porque dificilmente Holanda e Espanha serão derrotadas pela Austrália - o outro adversário da chave é o Chile.
Deter as tramas espanholas é uma tarefa árdua para os holandeses, mas o técnico Louis van Gaal conhece muito bem o adversário e pode traçar estratégias que se mostrem efetivas. Afinal, foi ele quem lançou, no time principal do Barcelona, no início da década passada, aqueles que depois revelaram-se craques de estatura mundial: Iniesta e Xavi, principais articuladores da Espanha.
PERTO DE RECORDE
Símbolo da geração mais vitoriosa da seleção espanhola, o supercampeão Iker Casillas está a apenas 84 minutos de superar o recorde de Walter Zenga como goleiro que ficou mais tempo sem tomar gols em Copas do Mundo. Em 1990, o italiano ficou 517 minutos sem ser vazado. Foram cinco partidas completas, além de parte da semifinal contra a Argentina.
Já Casillas acumula 433 minutos sem tomar gols em Copa do Mundo - o último foi contra o Chile, na primeira fase do Mundial de 2010. Se não for vazado até os 39 minutos do segundo tempo da partida de hoje, será o novo recordista. “Sair sem tomar gol é muito importante, mas o que quero é ganhar. O resultado é o de menos. O importante é começar ganhando”, disse o goleiro. “Espero fazer um bom Mundial e reviver o que fizemos na África do Sul”.
Van Gaal aposta nos contra-ataques para superar campeões mundiais
O principal desafio do técnico holandês, Louis van Gaal, hoje, é neutralizar o criativo meio de campo espanhol. Seu objetivo é tirar o adversário da zona do conforto e, para isso, planeja conciliar uma defesa superprotegida e fisicamente potente com contra-ataques e triangulações em velocidade - prioridade dos treinamentos realizados diariamente desde que a delegação chegou ao Rio, na sexta-feira passada.
Com a recuperação do volante titular, Jonathan de Guzman, que vinha de uma lesão muscular, Van Gaal deve escalá-lo à frente da zaga, ladeado pelos também volantes Nigel de Jong e Jordy Clasie. Assim, espera dar liberdade ao criativo trio de ataque, formado pelo capitão Van Persie (85 jogos pela seleção; 43 gols marcados), Wesley Sneijder (99 jogos; 26 gols) e Arjen Robben (75 jogos; 23 gols).
Nos treinamentos, Van Gaal exigiu dos volantes uma saída de bola precisa, geralmente um passe a meia distância em direção a Sneijder e Van Persie, que de primeira tocam para a entrada veloz de Robben ou dos laterais Daryl Janmaat e Daley Blind ou de um dos meias defensivos deslocados para o ataque.
ELENCO RENOVADO
O experimentado e vitorioso treinador tem um elenco renovado à disposição, com poucos veteranos (além dos três craques do ataque, estiveram na Copa de 2010 apenas Dirk Kuyt, De Jong, Klaas Huntelaar e o goleiro reserva Michel Worm). O goleiro titular, Jasper Cilessen (Ajax, da Holanda), de 25 anos, tem apenas oito partidas pela seleção. Outros, como Joel Veltman, Terence Kongolo, Paul Verhaegh, Leroy Fer e Mamphis Depay, nem isso.
Mas para a Holanda se dar bem, Sneijder, que completou 30 anos na segunda-feira passada, precisa recuperar a forma de 2010, quando foi um dos artilheiros da Copa, com cinco gols, e eleito o segundo melhor jogador da competição (atrás do uruguaio Forlan).
Carrasco da Seleção Brasileira naquele Mundial, ao marcar os dois gols da vitória da Holanda por 2 a 1, Sneijder, desde então, nunca mais jogou naquele nível. Está atualmente escondido no Galatasaray, da Turquia - um retrocesso para quem já jogou no Real Madrid e na Inter de Milão.
Outro problema é sua relação com Van Persie. É famosa a história de que os dois quase brigaram ao disputar uma cobrança de falta, fundamento em que são especialistas.