O garoto com álbum de figurinhas da Copa chega ao tumulto, à balbúrdia, em busca de cromos, somos cromos, não mais cromossomos. Justifica-se a bagunça que se tornou a Banca do Aeroporto, da franciscana Ilda, sim, Bauru tem uma mulher à São Francisco, Ilda protege os animais, são aves que gorjeiam lá e cá, Antônio Gonçalves Dias, Ilda ama pessoas, sorri sem cobrar, abraça sem pestanejar, a dona da nanca não banca ser um ser, ela é! No entanto, voltemos ao menino que quer a figurinha do Jô, diz que foi enganado, comprou um álbum que não tem o Jô, somente o Robinho! Alguém já antecipa: "Brasil é assim mesmo! "Não, o Brasil mudou e vai ter Copa!"
O aluno espera o intervalo e escreve na minha lousa: "Não vai ter copa", com um sorriso amarelo, que poderia ser verde e amarelo, ele me provoca: "Não vai ter Copa!", ao que lhe pergunto: "Qual o sujeito dessa frase?". Antes que ele responda à minha trágica questão sintática, respondo-lhe: "O sujeito é inexistente", ou seja, o Brasil precisa existir! Caro aluno, caro brasileiro, caro torcedor, se fosse "Não vai existir Copa" poderia até não acontecer. O problema é que precisamos existir, somos o Rodriguiano "Complexo de Vira-Lata", que tem que metamorfosear-se em Amplexo de Pitbull, Complexo de Primeiro Mundo, somos Brasil!
Por que essas pessoas ou seres ou indivíduos ou pseudobrasileiros não propagam a quatro cantos: "Não vai ter fila, não vai ter pedágio, não vai ter taxa de esgoto, não vai ter impostos, não vai ter corrupção, não vai ter voto-protesto Tiririca, não vai ter morte sem médico, não vai ter etanol a preço de dólar, não vai ter gasolina a preço de euro, não vai ter criança no semáforo, não vai ter pedofilia, não vai ter prostituição infantil, não vai ter usuários de crack, não vai ter lobby, não vai ter guerra, não vai ter maldade, não vai ter o não vai ter!
Respeito a opinião de todos que possam discordar de mim, mas é difícil comparar o brasileiro a qualquer outro cidadão, talvez, como disse mestre Luís Fernando Veríssimo, começa-se pelo sufixo -eiro, os outros são belgas, franceses, suíços, ingleses, australianos, americanos, japoneses, mas sou Brasil, "Tupy or not tupy, that is the question! E vai ter Copa e vai existir Brasil!
A cultura do brasileiro, não que eu concorde plenamente com isso, permeia o universo da novela e do futebol, posar agora de politizado e dizer que não quer Copa é agir, ao meu ver, como o cara que diz que é ateu, graças a Deus! Torcer é direito de todos, nas derrotas aparecerão os de sempre: "Bem-Feito!" e, com certeza, estarei em lágrimas a dizer: "Sem feito!" E ao apito final da final, usarei como desculpas o que aprendi com o eterno Nélson Rodrigues: "As Copas foram feitas para o Brasil ganhar, as que o Brasil não ganhou, azar das Copas!"
Entretanto, se o Hexa vier, parafrasearei: "Acordem e Progresso! "Brasil, verás que um filho teu não foge à luta!" E se há Copa, tem que se ganhar!
O autor é professor - crendo que vai ter Hexa!