Pouco movimentadas e isentas de fiscalização, as chamadas vias residenciais tornaram-se palco, por vezes, do excesso de velocidade. Entre ontem e anteontem, três capotamentos foram registrados em menos de 18 horas nesses tipos ruas em Bauru (leia mais abaixo).
Como esse tipo de acidente dificilmente ocorre de forma consecutiva, a situação acende um alerta aos motoristas que costumam utilizar tais vias como rotas alternativas para fuga do trânsito lento.
Os registros seguidos, inclusive, motivaram uma reunião de última hora realizada ontem pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), que já pensa em campanhas e estratégias específicas para não deixar que a imprudência avance também nessas “rotas alternativas”, que concentram grande quantidade de moradores e pedestres, muitas vezes idosos.
Dados fornecidos pela empresa mostram que, em 2014, foram registrados 12 capotamentos, que resultaram em oito vítimas leves e um óbito. Eles representam 2,2% em um universo de 547 acidentes. Contudo, apesar de parecer um número baixo, a intensidade costumeira desse tipo de ocorrência preocupa bastante.
Alternativas
Entre os locais onde os fatos ocorreram, estão vias como a quadra 19 da rua Tamandaré, acesso paralelo à avenida Castelo Branco; a quadra 3 da rua Aviador Gomes Ribeiro, na região central; e a quadra 3 da Capitão Orlando Pedro Demoro, na Pousada da Esperança. Todas chamadas vias “residenciais” ou “alternativas”.
“A rua Tamandaré é um exemplo de rota alternativa à Castelo Branco e que, como qualquer via local (residencial), tem limite de velocidade de 40 quilômetros por hora. Um capotamento não acontece nessa velocidade. O motorista tem que estar superior a, no mínimo, 60 quilômetros por hora para que isso ocorra. Um fato que notamos é que grande parte dessas ruas são lugares declives, o que ajuda o carro a capotar em uma colisão”, aponta o engenheiro e gerente de tráfego da Emdurb, Aníbal Ramalho.
“Esses capotamentos seguidos nessas ruas nos assustaram e mostraram que chegamos a um limite. Dentro do carro, os motoristas sentem como se estivessem em uma armadura e desrespeitam qualquer regra, principalmente o limite de velocidade. A rapidez e o estresse do dia a dia também colaboram para que isso tudo aconteça. É como se pessoas estivessem dirigindo no automático”, completa Nico Mondelli, presidente da Emdurb, durante reunião com sua equipe de gerência do tráfego.
Mais lombadas
Nelson Augusto Neto, engenheiro do setor de estatística e geoprocessamento da Emdurb, aponta que, como medida para tentar coibir abusos nas vias residenciais, a empresa deve implantar, dentro de algumas semanas, mais obstáculos nesses tipos de rotas.
“O excesso de velocidade está em todo lugar, mas temos percebido que muitos condutores costumam acelerar nos cruzamentos. Falta conscientização e educação”, completa Neto.
Três ocorrências seguidas
Dois capotamentos foram registrados na manhã desta sexta-feira (13) em vias residenciais de Bauru. Os acidentes aconteceram nos bairros Jardim Bela Vista e Vila Nipônica. Apesar do susto, ninguém ficou ferido gravemente.
O primeiro caso aconteceu por volta das 7h30, na quadra 10 da rua Padre Nóbrega, no Bela Vista. De acordo com a PM, a condutora de um Cross Fox, com placas de Bauru, trafegava sentido bairro-Centro, quando, por motivos a serem apurados, colidiu em um Prisma que seguia pela rua Horácio Alves Cunha, e capotou.
A vítima, cuja identidade não foi informada, foi socorrida com lesões nos braços. Já o outro motorista não ficou ferido.
Na mesma manhã, por volta das 8h30, outro motorista, condutor de um Fiat/Palio, perdeu a direção e capotou com o carro após colidir lateralmente em um Fiat/Uno na quadra 19 da rua Tamandaré, na Vila Nipônica.
O carro foi parar no portão de uma residência. Apesar do susto, ele não ficou ferido. Já o condutor do Fiat/Uno foi socorrido com lesões pelo corpo.
Na tarde de quinta-feira, cerca de 18 horas antes, um Renault/Clio também capotou ao ser atingido por um Nissan/March, conduzido por um homem de 86 anos, que teria invadido a sinalização de “Pare”, em um cruzamento da rua Aviador Gomes Ribeiro e Floriano Peixoto. Apesar dos estragos provocados nos veículos, nenhum dos ocupantes se feriu com gravidade.
Para Polícia Militar, ‘pegar atalhos’ se tornará uma tendência na cidade
Comandante do Pelotão de Trânsito do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4ºBPM-I), o tenente José Sérgio de Souza, diz que, com o aumento da frota de veículos – que já chega a 256 mil em Bauru -, o uso cada vez maior das vias alternativas é uma tendência.
“Para chegar mais rápido ao destino, muitos motoristas procuram esses atalhos, mas acabam não respeitando os limites de velocidade. Os atalhos são uma tendência em uma cidade com essa frota, mas é preciso observar que esses locais escondem muitos riscos por terem menos preferenciais que as avenidas. É preciso se atentar também à topografia e declive das ruas”, frisa.
O tenente afirma ainda que os capotamentos ocorrem apenas quando o motorista trafega acima de 80 quilômetros por hora.
Campanha de impacto
A Emdurb deve promover campanha de impacto na Semana Nacional de Trânsito, que ocorrerá em setembro.
“Vamos utilizar imagens mais impactantes de acidentes para que as pessoas gravem o que realmente pode acontecer ao desrespeitar os limites”, afirma a Fabiana Lima, do setor de educação da Emdurb.