O comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, Benedito Roberto Meira, disse nesta sexta-feira (13) que houve excesso por parte de um PM que usou spray de pimenta nos olhos de um manifestante imobilizado durante o ato anti-Copa realizado no dia anterior na zona leste da cidade.
O professor de inglês Rafael Marques Lusvarghi, 29 anos, estava sozinho em frente à tropa quando levou dois tiros de borracha no peito. Em seguida, ele foi imobilizado pelo comandante da operação e ao menos mais cinco PMs. “Quando a PM começou a avançar, mantive a posição. Eles jogaram algumas bombas e eu arremessei uma de volta”, afirmou ele.
Mesmo algemado e imobilizado, Lusvarghi foi atingido por um jato de spray de pimenta nos olhos. Segundo Meira, “a utilização do gás era desnecessária.”
Durante a mesma entrevista, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, afirmou que, em geral, “a polícia agiu corretamente”. “Aquilo (spray nos olhos) mostra um instante, precisamos ver todo o contexto. Por isso foi instaurado um inquérito”, disse Grella.
Meira diz que a maior dificuldade para identificar policiais que cometem excessos é a resistência das vítimas. “Quando as pessoas são convocadas para fazer reconhecimento fotográfico, que apareçam.”
Em outro evento, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que a PM “agiu como é seu dever” e “evitou um problema maior”. “Imagine as consequências se a polícia não tivesse agido e permitisse a ocupação da Radial Leste e das estações de metrô com 80 mil pessoas querendo ir ao estádio”, afirmou. Ao menos 11 pessoas ficaram feridas, entre elas duas jornalistas da CNN.