09 de julho de 2026
Cultura

Na companhia de mitos

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

O Paulo Maia Trio está em processo final de produção de seu primeiro disco, “Paulo Maia Trio – Brasilizando”, fruto de um ano e meio de trabalho de seus integrantes Fernando Lima (baixo), Lilo Oro (bateria) e Paulo Maia (teclado). Porém, os músicos têm mais a comemorar. O seu primeiro trabalho de estúdio já sai chancelado pela presença de nomes referência no cenário nacional da música instrumental, como o compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Paschoal, o pianista André Marques, o saxofonista Vinícius Dorin e o também multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo. O disco foi gravado na segunda quinzena de dezembro, está em fase final de produção e deve ser lançado até setembro, segundo as projeções dos músicos. Maia, compositor das oito faixas do álbum, afirma que o trabalho do Paulo Maia Trio na gravação já terminou, restando apenas registrar a participação de dois convidados. “O disco está finalizado. Faltam o Vinícius Dorin e o Arismar do Espírito Santo para gravar”, explica. As faixas que compõem o álbum são inéditas. “As músicas são do Paulo e são as que ele já fazia no piano, pensando em arranjos para banda. Ele começou a trabalhar estas músicas com a gente e, para nós, foi um crescimento”, considera Lilo Oro. A gravação do disco veio após um ano e meio de ensaios e de amadurecimento do trabalho registrado no álbum. O início se deu quando Maia, formado no Conservatório de Tatuí, chegou a Bauru há dois anos e logo se juntou a Oro e Lima para um projeto instrumental autoral.

“Chegando a Bauru, quis montar um grupo fixo, sólido, para fazer minhas composições. Começou como um grupo de estudo, nos reunimos e decidirmos fazer uns ensaios como estudo, mas com trabalho autoral. As músicas foram sendo finalizadas, com arranjos, e resolvemos gravar”, comenta Maia.

Com trabalho pronto, surgiu a ideia de convidar os ícones para participações. “A gente sempre tem contato com estes caras. Temos uma proximidade, vamos a vários shows, festivais, uma convivência”, afirma Maia. Assim, convite feito, convite aceito. Hermeto Paschoal participa de uma das faixas em sua homenagem tocando escaleta. André Marques, outro homenageado, também toca escaleta. Vinicius Dorin põe seu saxofone em faixa que também lhe presta tributo e Arismar do Espírito Santo toca guitarra em música composta em homenagem ao sanfoneiro Dominguinhos, que morreu no ano passado.

A sonoridade do Paulo Maia Trio é fruto de pesquisa dos músicos com influências de regionalismos. “A música do trio é muito voltada para a cultura brasileira. A gente explora ritmos regionais e tem muita improvisação. Também tem toda uma parte didática. É uma música que tem potencial para atingir todos o públicos. Tem elementos que a gente usa com os quais com certeza as pessoas vão se identificar”, garante Oro.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, Maia e Oro falam sobre o primeiro trabalho do trio, a emoção de ter nomes referência da música instrumental no álbum de estreia e sobre o momento da música instrumental no País:

JC - Como surgiram os contatos para as participações especiais no disco?

Paulo Maia – Os quatro sempre foram nossas referências. O André Marques foi meu professor de piano, tive a honra de estudar dois anos com ele, finalizando meu curso em Tatuí. Fiz uma música chamada “Curupira”, que é o nome do grupo dele. Uma homenagem. E ele está presente gravando esta música comigo. No caso do Vinícius Dorin foi a mesma coisa. Fiz uma música pensando que era para ele tocar. Eu o convidei e ele aceitou. Para o Hermeto também fiz uma música. Fiz o convite e ele aceitou de pronto. No caso do Arismar do Espírito Santo, tem uma música que eu fiz para o Dominguinhos quando ele faleceu e o Arismar foi um dos músicos que acompanharam o Dominguinhos boa parte da carreira dele.

JC – Vocês chegaram a trabalhar com eles em estúdio na gravação?

Maia – A gente até tentou, mas foi impossível conciliar a agenda destes caras, que são mitos da música instrumental. A gente até tentou, no dia da gravação, gravar com o Vinícius e o Arismar, mas eles tiveram um festival no Nordeste, nós não podíamos desmarcar o estúdio e não deu.

JC – Em que medida engradece o primeiro trabalho de vocês já contar com nomes desta quilate?

Maia – Somos privilegiadíssimos. A primeira emoção é a honra de tê-los conosco no primeiro álbum. E eles terem aceitado foi a grande novidade. Ficamos muito lisonjeados de eles terem aceitado o convite.

JC – A música instrumental tem um bom mercado e espaço? Como é fazer música instrumental no Brasil hoje?

Maia – A música instrumental brasileira é a música mais rica do mundo e vem crescendo junto com o tempo. A cena instrumental se renova e de maneira muito forte.