|
Reprodução |
|
|
|
Celular e laptop perto do corpo geram calor e radiações que afetam a qualidade do esperma |
Quando não se vê ou sente, fica difícil acreditar. Os celulares recebem seus sinais ou radiações eletromagnéticas pela parte traseira. Não percebermos, mas parece óbvio que existem: afinal, você não escuta quando atende? Para diminuir o contato do seu corpo com as radiações deixe o celular longe do corpo. Se no bolso, coloque-o com o teclado voltado para a pele: a radiação contatará diretamente o aparelho sem passar no corpo. Todos os fabricantes recomendam nos manuais que se utilize o celular alguns centímetros do ouvido. Mas, quem lê manual?
Para muitas pessoas radiações não existem, não se vê, não se pega, não se sente. Mas existem e são poderosíssimas em todos os sentidos, especialmente econômicos. Por exemplo, muitos estudos revelam aumento de prevalência de lesões malignas, especialmente linfomas, em crianças que residem nas proximidades das linhas de alta tensão. Fica difícil não relacionar à radiação destas linhas de energia se a criança viveu alguns anos em uma casa nas redondezas destas linhas.
Uma revisão sobre a relação do uso do celular no bolso das calças dos homens e a diminuição da fertilidade masculina foi realizada por pesquisadores da Universidade de Exeter da Inglaterra liderados por Fiona Mathews: “O efeito dos celulares na qualidade do esperma: uma revisão sistemática e meta-análise” publicado na “Environment International”. Aproximadamente 14% dos casais de renda média e alta apresentam dificuldade em conceber. Para a “American Urological Association”, um em cada seis casais enfrenta problemas de concepção: a metade por infertilidade masculina.
No uso de celulares no bolso, foram analisados 1492 espermas de dez pesquisas diferentes com clientes de clínicas de fertilização e centros de pesquisas. No esperma, ou conjunto da secreção que contem os espermatozoides responsáveis pela fecundação, foram analisadas a: 1. motilidade das células em direção ao óvulo, 2. viabilidade dos espermatozoides o que significa quantos estavam vivos e, 3. concentração ou quantidade de espermatozoides em cada gota do esperma.
Um grupo controle de pessoas que não usaram celulares no bolso tiveram mobilidade em 50 a 85%, um índice normal. Nos espermas de usuários de celulares no bolso, houve redução de 8% na mobilidade dos espermatozoides e uma quantidade 9% menor. Estes resultados foram estatisticamente significantes e quanto à concentração de espermatozoides os resultados não foram claros.
Em declarações à imprensa Fiona Mathews afirmou: “Pela enorme escala de uso de celulares, o papel potencial desta exposição ambiental precisa ser esclarecido. E continua: “o estudo sugere fortemente que a exposição a radiação de campos de radiofrequência por carregar celulares nos bolsos das calças afeta negativamente a qualidade do esperma o que pode ser particularmente importante para os homens situados no limite da infertilidade”. Afirmou ainda que mais pesquisas são necessárias para determinar as implicações clínicas completas.
E O LAPTOP?
Além das radiações eletromagnéticas, o celular no bolso da calça pode esquentar a região dos testículos e diminuir a qualidade do esperma. Estudos anteriores na revista “Fertility and Sterility” relacionaram a diminuição fertilidade ao uso do computador no colo pelo calor. O pesquisador Yelim Sheynkin afirmou que mesmo com o uso de suportes ou apoios, os testículos se aqueciam rapidamente depois de 10 a 15 minutos no colo, elevando a temperatura escrotal acima do considerado seguro, sem que a pessoa percebesse, dando uma falsa impressão!
A posição dos testículos fora do corpo os mantêm alguns graus mais frios que o resto do organismo, uma condição essencial para produção de esperma com qualidade. Elevar mais que um grau a temperatura já é o bastante para danificar os espermatozoides. O uso de jeans e cuecas apertados não são considerados fator de risco porque as pessoas se movimentam enquanto usam, mas usar o laptop exige manter pernas imóveis e fechadas: uma hora nessa posição, aumenta 2,5 graus a temperatura testicular.
E a verilidade? Pesquisa sobre o assunto não existem, mas por precaução coloquem o celular e o laptop na mesa!
Alberto Consolaro é?professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.