11 de julho de 2026
Geral

Delegados "cruzam os braços" em Bauru por duas horas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Delegados de Bauru paralisaram as atividades na Central de Polícia Judiciária (CPJ) das 16h às 18h, ontem. O movimento estadual, nomeado como “Alerta Vermelho”, protestou por melhores salários e pela reestruturação da Polícia Civil.

A paralisação foi encabeçada pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) que também realizou a ação em outros municípios.

Em Bauru, contudo, o movimento não contou com o apoio das demais categorias da polícia, como escrivães e investigadores, que permaneceram no interior do prédio.

Apesar disso, quase todo o trabalho na CPJ precisou ser interrompido, principalmente no Plantão.

A paralisação não deve se repetir pelos próximos dias, segundo explica o representante da Adpesp em Bauru, delegado Cledson Luiz do Nascimento. “Falta investimento na Polícia Civil. O governo tem deixado a polícia de inteligência em segundo plano”, afirma.  “Recentemente, conseguimos um reconhecimento da carreira jurídica, mas o adicional concedido está aquém do que deveria. Um defensor público, por exemplo, ganha muito mais para soltar do que nós para prender”, acrescenta.

Nos último meses, a Polícia Civil realizou a Operação Blecaute, onde delegados e demais categorias reivindicavam juntas por melhores condições.

Objetivo

Entre as reivindicações pontuais do movimento realizado pela Adpesp ontem, estão: o encaminhamento e a aprovação do projeto de reestruturação para todas as carreiras da Polícia Civil; aplicação imediata da LC 144/14 (aposentadoria especial para todos os policiais); extensão do pagamento da Atividade de Polícia Judiciária (ADPJ) aos aposentados; reajustes escalonados da ADPJ conforme planilha elaborada e encaminhada pela Adpesp e reajuste salarial para todas as carreiras.

Sem apoio

Delegado sindical do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp), o investigador Fábio Legramandi, confirmou que as demais categorias não apoiaram o movimento ontem. “Foi uma ação isolada da Adpesp, ninguém combinou nada conosco. Se cada um lutar separado, não vamos conseguir nada. Na última paralisação, eles conseguiram aumento salarial e, nós apenas a exigência de nível superior para concurso”, aponta Legramandi.

Legítimo

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado disse que a Delegacia Geral de Polícia Civil reconhece legítimo o direito à livre organização e manifestação das entidades representativas de classe. “De outro lado, a Delegacia Geral estabelece um canal democrático de negociação legítimo e respeitoso com as entidades de classe, acolhendo suas reivindicações de interesse institucional, todas organizadas em um plano de reestruturação, com propostas de anteprojetos e decretos”, diz o órgão.

Ainda de acordo com a SSP, o movimento transcorreu de forma pacífica e sem prejuízo aos serviços essenciais à população.