08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sim, estoque custa dinheiro


| Tempo de leitura: 3 min

Ultimamente, estou escutando uma propaganda que diz mais ou menos assim: "Com mais dinheiro em caixa, pode-se fazer mais estoque. Quanto mais estoque, maiores são as vendas". As escolas de Administração em Operações deveriam se sentir ofendidas por este tipo de propaganda, por representar um grave erro de falta de gestão de estoque.

Vamos começar com uma das principais referências em gestão de estoque: os japoneses. Eles consideram o estoque "evil". Em português, "mau/perverso". Os norte-americanos não controlam o estoque como uma prioridade, mas sem dúvida o consideram como um grande custo. E para os brasileiros? Bem, se generalizarmos pela propaganda, também não deve ser prioridade. Mas deveria. Em todas as etapas de transformação de um bem ou na execução de um serviço existe estoque. O estoque é o ato de acumular o mesmo tipo de material durante determinado período, até ser consumido. Vários são os exemplos, não tão óbvios, até serem notados: água no reservatório, advogados no escritório, dinheiro na carteira ou no banco, tijolos para a construção, canetas na gaveta etc.

O estoque significa dinheiro investido aguardando o momento de ser revertido em mais dinheiro. Então, mais estoque significa mais dinheiro parado que poderia estar rendendo juros em uma aplicação financeira ou mesmo estar empregado em um projeto para aumentar a capacidade de produção, marketing ou ação social. Por isso, o pior pecado capital na administração de uma empresa é a manutenção de estoque em excesso.

Uma maneira de reduzir o impacto negativo do estoque na saúde financeira da empresa é fazer a gestão da relação das vendas com a previsão da demanda. Esta relação provê informação para equalizar a quantidade e o momento da geração do estoque, sem que haja prejuízos na estratégia de atendimento ao cliente, melhor dizendo, no nível de serviço desejado.

Porém, a análise não deve ficar restrita apenas a este estudo. Vários outros fatores devem ser considerados antes da definição para geração do estoque. Vamos imaginar uma loja com uma prateleira cheia do mesmo produto, com uma demanda de consumo constante. O aumento da quantidade do produto não levará ao aumento das vendas. A menos que haja uma promoção para desovar o estoque, o que seria prejudicial para o negócio. Agora, vamos imaginar a mesma loja mantendo a quantidade do produto na prateleira suficiente para atender ao consumo de um dia. Com certeza, a prateleira seria menor, haveria mais espaço para outros produtos, o valor aplicado no estoque seria menor e o controle seria mais exato. Por outro lado, faz-se necessário a reposição diária do estoque.

Se voltarmos um pouco mais na rede de fornecimento deste exemplo, chegaremos à fábrica do produto e a gestão de estoque seria muito semelhante, talvez com outras proporções para atender outras lojas. Ou seja, quanto mais estoque, mais dinheiro parado. Sem falarmos dos riscos associados à manutenção do estoque. Por isso, se você escutar a propaganda no rádio, não se deixe levar pela oportunidade para cair no erro da falta de gestão de estoque. Boas vendas com boa gestão!

Marcos Augusto Vassoler