08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Conta-gotas


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Meus dicionários não registram o verbete "emburrecer". Confesso que tal fato deixou-me surpreso. É que me assusta a indiferença de notáveis diante do que vivemos nos dias atuais.

Há anos, há muitos anos, dizia-se que os bravos mato-grossenses não cuidavam dos bois. Os bois é que se preocupavam com eles...

Isso até que o jornalista David Nasser, da revista "O Cruzeiro", enalteceu o despertar daquele Estado com a eleição de Pedro Pedrossian como governador. Hoje, vemos com outros olhos esse indesmentido despertar. A imprensa mostra, a cada momento, o esplendor da agricultura do Estado, numa luta desigual com a falta de escoamento da produção. Há falta de silos e nem sempre os caminhões chegam, por falta de estradas. No entanto, Cuiabá passa a ter um estádio de futebol de primeiro mundo, mesmo não tendo clubes de futebol... O mesmo acontece em Brasília, no Amazonas. O povo clama por hospitais, por escolas, por segurança, mas Ronaldo "o fenômeno" diz que "futebol precisa de estádios, não de escolas"! Bebeto, mais um dos arautos, posa fazendo um "nana-nenê" com a taça, forçando-nos a acreditar que o Brasil será campeão... Será?! Até pode ser, porque futebol nunca foi uma coisa séria. Vicente Feola reúne os jogadores para uma preleção e diz o que cada um deveria fazer para derrotar os soviéticos. Foi incisivo. Cheio de certezas. Nisso, Garrincha, com toda a simplicidade, pergunta: "Isso já está acertado com os adversários?". Quem sabe?... Até hoje não entendo como um jogador do potencial de Baggio conseguiu cobrar uma penalidade máxima dando um "tiro-de-meta"... A mídia reprisa todas as Copas do Mundo, até a de 1930, no Uruguai. Mas não reprisa a de 1998, mostrando Ronaldo, hirto, plantado na área adversária, sem a mínima condição de jogo. O técnico afirma, acintosamente, que Júlio César será convocado mesmo que não participe das partidas... Lembro-me, ainda, de 1950. A diferença entre 1950 e 2014 é que a equipe de 1950 era bem superior à atual, embora seja, como esta, embalada pelos cariocas... Em 1954 a única equipe que enfrentou os húngaros de igual para igual foi o Uruguai. Perdoem-me, mas acredito mais no "tri" do Uruguai do que no "hexa" do Brasil.

Álvaro Baptista Pontes