Após o fracasso das negociações sobre o preço do gás, a Rússia cortou ontem o fornecimento para a Ucrânia, o que pode afetar o abastecimento da Europa e agravar a crise entre Moscou e países ocidentais.
Kiev não cumpriu o prazo desta segunda para pagar a dívida de US$ 1,95 bilhão (R$ 4,35 bilhões) com a estatal russa Gazprom pelo gás já exportado.
O ministro ucraniano de Energia, Yuri Prodan, confirmou que o país não estava recebendo gás ontem. A Rússia - que também abastece 1/3 do gás consumido na Europa - diz que agora a Ucrânia só terá o que pagar adiantado.
A Gazprom disse que continuará a abastecer a Europa e que é responsabilidade de Kiev assegurar o fluxo do produto - cerca de 15% do gás consumido no continente chega através da Ucrânia.
A Ucrânia “vai garantir o trânsito confiável (de gás) para a Europa”, disse Prodan.
A Gazprom advertiu sobre a possibilidade de que Kiev use o gás destinado à Europa, o que teria acontecido após as disputas de preço de 2006 e 2009, que afetaram o fornecimento para a UE.
No fim de semana, a Rússia rejeitou a proposta da União Europeia de receber US$ 1 bilhão (R$ 2,23 bilhões) nesta segunda, e o restante em prestações.
Segundo a Gazprom, a dívida ucraniana chega a um total de US$ 4,458 bilhões (R$ 9,95 bilhões).
O comissário europeu de Energia, Guenther Oettinger, afirmou que não devem acontecer problemas no fornecimento de gás russo para a Europa, mas advertiu para um possível problema “no caso de inverno rigoroso”.
Segundo a porta-voz da UE, Sabine Berger, a atual reserva de gás da Ucrânia (13,5 bilhões de metros cúbicos) basta para o verão no país e na Europa, mas é preciso cerca de 20 bilhões para o inverno.
Kiev não aceitou o aumento de preço imposto por Moscou depois que o presidente pró-russo Viktor Yanukovich foi derrubado e substituído por um governo aliado com o Ocidente neste ano.
O premiê ucraniano, Arseni Yatseniuk, associou a ação da Gazprom à anexação da Crimeia pela Rússia e ao movimento separatista pró-russo no leste do país. “É um plano da Rússia para destruir a Ucrânia”, disse.