09 de julho de 2026
Geral

Em obras, SP-321 tem sinalização confusa

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

A sinalização das obras de duplicação na rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, mais confunde do que explica. A reclamação é dos motoristas, que, confusos, acabam errando o destino, além do risco de acidentes. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) argumenta que a sinalização está correta, mas promete melhorar (leia mais abaixo).

As queixas mais constantes são de usuários do aeroporto Moussa Nakhal Tobias. Uma rotatória improvisada divide a entrada que dá acesso ao aeroporto, como também para quem segue no sentido Bauru-Iacanga. A reportagem esteve no local e constatou motoristas perdidos, além de atos de imprudência.

Até mesmo quem percorre o trajeto todos os dias alega se confundir com a disposição das placas. “Fiquei um dia sem vir ao aeroporto e me perdi por conta das mudanças. A sinalização é mal adaptada. Vários motoristas já me abordaram desesperados, pedindo explicação de como pegava a rodovia no sentido Bauru ou Iacanga”, disse o taxista Paulo Sérgio de Oliveira.

A reclamação entre os motoristas de taxi é unânime. Adilson de Carvalho contou que a situação é ainda pior durante a noite. Segundo ele, apenas uma pequena placa amarela com escrito em preto orienta os motoristas para a entrada do aeroporto. Porém, a placa em questão não possuí equipamento luminoso e fica quase “invisível”

“À noite, ninguém vê nada. Vira um caos. Eu acho necessário fazer a duplicação, mas precisa ter placas de orientação decentes. Muitos ônibus de escolas, com crianças, passam todos os dias por aqui. É perigoso”, critca Carvalho.

Uma leitora, que não quis se identificar, reiterou os perigos do trecho durante a noite. Ela disse ter flagrado, na última quinta, motoristas cortando a frente de caminhões que seguiam no sentido Iacanga-Bauru.

“Muitas crianças que vêm se tratar no Centrinho fazem essa viagem diariamente. Alguns conhecidos me disseram que já passaram reto no trevo e, por pouco, não se envolveram em acidentes”, contou.

‘Na pele’

Ontem de manhã, o Jornal da Cidade percorreu o trajeto da SP-321, no sentido Bauru-Iacanga, até a entrada do aeroporto, e  viu a confusão da má sinalização.

Antes de chegar ao destino, a reportagem acessou, por engano, duas entradas que não levavam a destino algum.

Uma delas, logo após a placa de “Aeroporto a 500 metros”, terminava em um buraco, onde as máquinas faziam o trabalho de aterro da pista. Já a outra, a cerca de 100 metros da primeira, era indicada por cones, que davam a impressão de ser a real saída para o aeroporto.

Imprudência

Se falta sinalização, porém, sobram maus exemplos dos próprios motoristas. As placas de “Pare” acabam servindo apenas como enfeite para alguns usuários.

Com uma manobra em ré no meio da rodovia,  o motorista de um Astra preto nem sequer passou pela rotária improvisada. Ele entrou direto na pista, em meio ao trânsito de caminhões e carros. 


DER promete que irá reforçar a sinalização e pedirá mais fiscalização

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) aponta que a duplicação ocorre desde junho de 2013.  O órgão “esclarece ainda que o trecho está sinalizado para obras em perfeitas condições, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro e o Contran. O prazo previsto para conclusão das intervenções é outubro deste ano”.

Em nota, o DER afirma ainda que, “infelizmente as intervenções causam transtornos pra a população” e  informa também que fará reforço na sinalização e solicitará à Polícia Militar Rodoviária aumento na fiscalização do trecho.


‘Perdido’

Foi a primeira palavra dita pelo motorista Luciano Francisco Rodrigues, morador de Iacanga, ao descrever como se sentia em sua viagem “inaugural” pela rodovia SP-321.

“É a obra mais confusa que já vi. Acabei errando e entrei no sentido aeroporto, porque vinha um caminhão no sentido contrário. Achei que viria de encontro a mim e, para evitar uma batida, acabei saindo da rodovia”, contou o homem, que estava com medo de perder a consulta médica por conta do atraso.

Rodrigues criticou a forma com que os cones foram colocados na pista, facilitando o erro ao chegar na rotatória improvisada. “Acabei me perdendo. Quem está acostumado deve ser mais tranquilo, mas, no meu caso, que é a primeira vez que trafego por aqui, é bem complicado. Sinalização ruim, além de estar bem perigoso”, reclama.