"The best World Cup ever." "Nunca vi Copa como essa." A cada jogo, as redes sociais se enchem de comentários elogiosos ao nível técnico e à carga de emoção do Mundial. Não é raro encontrar quem já o considere o melhor da história. Será?
A reportagem analisou dados dos primeiros 15 jogos (Rússia x Coreia do Sul seria disputada após a conclusão desta edição) e os comparou com duelos da primeira rodada das edições anteriores.
A conclusão é que não falta emoção e entretenimento aos espectadores. Para começar, a média de gols disparou.
De 1,56 gol por partida em 2010, que fez da primeira rodada da África do Sul o pior início em Copas, para 3,13. Em 15 jogos, foram 47 gols.
É a melhor média em 60 anos -em 1958, a primeira rodada teve 3,6 gols por jogo.
A avalanche tem sido festejada pela Fifa e rendido elogios de importantes ex-jogadores. Para Zico, os treinadores passaram a escalar times mais ofensivos e essa mentalidade contagia os jogadores.
Para o ex-meia Deco, o "segredo" é que "ninguém jogou por empate". "Com base na primeira rodada, tem tudo para ser uma Copa fantástica", disse ele, que foi quarto colocado com Portugal na edição da Alemanha, em 2006.
Neste Mundial, abrir o placar deixou de ser uma vantagem determinante para o resultado. Foram seis viradas na primeira rodada. Ou seja, 40% das partidas tiveram como vencedor quem perdia.
A Holanda, por exemplo, transformou um revés parcial de 1 a 0 em uma goleada por 5 a 1 sobre a Espanha.
A quantidade de viradas no Brasil é, em números absolutos, a maior da história.
Proporcionalmente, porém, não alcança 1978, quando metade das oito partidas da primeira fase terminou com inversão de placares.
O empate foi praticamente abolido. O insosso 0 a 0 entre Irã e Nigéria, em Curitiba, foi o único empate na rodada inicial -menor marca pós-1950.
"[A Copa] está maravilhosa. O nível é alto", disse o ex-volante Vampeta, campeão mundial na Copa de 2002.
O ex-volante lembrou que os craques têm brilhado e decidido as partidas. Messi marcou na vitória da Argentina. Neymar balançou as redes pelo Brasil. Benzema, pela França. Van Persie e Robben deram show pela Holanda.
Faltou apenas o português Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo, cuja seleção acabou goleada por 4 a 0 pela Alemanha, na segunda-feira (16).
CAUTELA
Técnico do São Paulo, Muricy Ramalho prefere aguardar para avaliar o sucesso desta Copa. "Ainda não concordo que essa é a Copa das Copas. A primeira rodada foi muito boa em gols e nível técnico. Mas já houve outras Copas ainda acima dessa aqui."
Oswaldo de Oliveira, treinador do Santos, concordou. "Primeiro os jogadores desta Copa têm de se superar muito para fazer o que Pelé, Garrincha, Cruyff, Maradona, Romário, Ronaldo, craques de outras Copas, fizeram."