09 de julho de 2026
Articulistas

Felipão, a Copa e a Economia

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

O empate da Seleção Brasileira no jogo com o México possibilita reflexões sobre o comportamento do treinador brasileiro Felipe Scolari, o Felipão, a Copa do Mundo e a economia nacional. A responsabilidade pela convocação, escalação e esquema tático é do Felipão. Ele compartilha as decisões com a equipe técnica, mas em última instância a responsabilidade é dele. E o que ele disse após o empate: que a equipe melhorou, que o goleiro adversário foi o herói do jogo, que houve um pênalti não marcado no lateral Marcelo e uma série de colocações, visam "proteger" seus subordinados, os membros da família Scolari.

Se analisarmos a organização da Copa, as coisas caminham no mesmo sentido das colocações do Felipão. Há inúmeras falhas na organização, mas o espetáculo acontece. Os jogos estão acontecendo e o que se vê, pelo menos a imagem que nos chega, são torcedores felizes comemorando a cada instante. Os bastidores, as filas, os protestos, enfim, o periférico não é evidenciado.

O que isso tudo tem a ver com a economia nacional? De um lado, a falta de firmeza da presidente Dilma Rousseff na condução de nossa economia. Ela até tenta se comportar como Felipão, protegendo sua equipe econômica, dizendo que as coisas vão bem, que a economia irá se recuperar, que a inflação não é um problema tão sério, mas lhe falta credibilidade e, diria, carisma, características do treinador Felipão, o qual, no comando da seleção, é vencedor.

De outro lado, há perspectiva de melhoria. Quando observamos o comportamento dos jogadores brasileiros e da equipe técnica da seleção, podemos até ter surpresas pela frente, mas o torcedor brasileiro confia, entende que haverá recuperação e que a classificação, mesmo que difícil, virá. No ambiente econômico não há este mesmo olhar. Mesmo com o chamado "pacote de bondades" visando auxiliar o setor industrial brasileiro, a leitura é que o nível de confiança dos agentes econômicos é muito baixo. Isso faz a economia patinar e, o que é pior, a adiar importantes decisões, notadamente no tocante à ampliação dos investimentos, estes sim fundamentais para retomada do crescimento da economia.

No caso da seleção, penso que a coisa está encaminhada, sendo que o país pode até não conquistar a Copa do Mundo, mas que há confiança interna há, já neste resto de governo Dilma, infelizmente a coisa não funciona assim. Lições devem ser tiradas a todo momento e agora é hora de entender os sinais do mercado, ou melhor, do que a postura de quem está com os holofotes da Copa do Mundo indica.

O autor é economista e articulista do JC