09 de julho de 2026
Cultura

70 anos 'imortais'


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Hoje, Chico Buarque de Hollanda completa 70 anos de idade, trabalhando em Paris, onde escreve novo livro. E em 2014 sua obra musical completa meio século a partir de Tem Mais Samba, canção escrita para o musical Balanço de Orfeu, que ele considera o marco zero de sua obra.

O cantor, compositor e escritor não é mais a “única unanimidade nacional” apregoada por Millôr Fernandes no início de sua carreira - o próprio Chico disse ter “ficado espantadíssimo” com os comentários de seus detratores na Internet -, mas é inegável que suas posições em relação ao Brasil e o impacto de sua produção continuam pertinentes.

A importância de Chico e suas qualidades como cidadão e artista são expostas nesta reportagem que celebra seu aniversário. Depoimentos de amigos e parceiros ouvidos pelo jornal O Estado de S.Paulo ajudam a definir sua personalidade na intimidade. Ruy Guerra, com quem Chico escreveu a peça Calabar: O Elogio da Traição, além de músicas para a trilha sonora, afirma que o talento de Chico é fruto do “trabalho constante e teimoso”.

Trabalho que deu mais de uma dezena de clássicos sem os quais a música brasileira não seria a mesma. Algumas funcionam como alicerces de entendimento do País. Outras ressaltam as características de um poeta que evidencia o operário, a mecânica do cotidiano e a moça na janela e na alcova. Chegar aos 70 não é impedimento para ele. Sua obra permanece em construção


Discos memoráveis

Quarenta álbuns levam o nome de Chico Buarque Entre 1966 a 1969, gravou três discos que são a síntese de suas influências. Os ecos de Noel Rosa e o gosto pela descrição de personagens como Pedro Pedreiro são a base desses registros. Após disco de transição em 1970, Chico vira repórter político do País em discos essenciais. Construção (1971), Meus Caros Amigos (1976) e Chico Buarque (1978) documentam o Brasil dos anos de chumbo. A partir dos anos 1980, projetos para cinema e teatro explicitam a qualidade de Chico como letrista, que ensaia aproximação com a literatura. Após tropeçar no repertório irregular de Carioca (2006), Chico (2011) mostrou que o retrato do artista quando maduro ainda pode ser promissor.

 

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