A rara com raros buracos avenida Getúlio Vargas exibe em sua esquina com a Ignácio Alexandre Nasralla o Aeroclube, que poderia tornar-se o maior parque ecológico do Estado, mas não duvidem de que se metamorfoseie em mais um condomínio com os lotes mais caros de São Paulo. Nesse local, uma camada de alunos comemoram a aprovação em vestibulares paulistas e brasileiros!
Trajados quase sem traje, pintados como guerreiros de William Wallace no épico e incomparável Coração Valente de Mel Gibson, maltrapilhos, como crianças sem esperança, àquelas a quem ninguém liga, nem mesmo se globais pedirem rifas disfarçadas de solidárias e salafrárias tarifas, os futuros alunos, outrora vestibulandos, agora "bixos" pedem moedas, cédulas, qualquer tipo de vil metal para a comemoração da vitória, pois depois de um longo percurso e qualquer tipo de discurso chegou-se ao sonhado curso!
Isso me fez lembrar dos tempos de colegial, em que fiz curso técnico de Eletrônica na extinta Escola Técnica de Bauru, pertencente à Instituição Toledo de Ensino. Lá tive professores memoráveis e inesquecíveis: Luiz Vítor Martinello, Carlos "Circuito", Wesley, Sandra Meira, Sérgio Lhamas, José Humberto Santana, Hélio Teixeira, Carlos Alberto Fernandes "Carlão" Leite, José Martha e outros! Creiam, eu não queria cursar Eletrônica, mas esses professores e o senhor Antônio Eufrásio de Toledo, no dia em que fui fazer matrícula, convenceram-me a fazer a ETB da ITE!
É indispensável dizer que os mestres fizeram-me professor, idolatrava cada aula dada por esses "admiráveis monstros da lousa" e em que eles mudaram o mundo? Contavam suas histórias, abraçavam-nos com seus léxicos, o prazer em ensinar aprendendo estava em seus olhos, suas piadas, seus perfis, seus trajes e singelos ultrajes marcaram a minha vida e a de Sérgio Piga, a de Laerte Padilha Lozigia, Vanderlei da Costa Valério, Osíris Tirintan, Jerônimo Crepaldi, Wagner Gonçalves Teixeira, Noel Batista Couto, Carlos Alberto Ribeiro, João Henrique Ferreira: éramos tão jovens, fomos tão alimentados. somos tão formados!
Tempos depois na USC, conheci Adenil Alfeu Domingues, Irmã Rosângela, Gesiane Folkis. Élida Farias, José Rafael Mazzoni, Muricy Domingues, Márcia Valéria Zamboni, Cleide Rapucci, Luiz Gonzaga, Darvino Côncer e o que também esses ícones e mestres proferiram e proliferaram a nós, alunos? Ideias, textos com pretextos, livros didáticos, simpáticos e enfáticos, deixaram-nos pensar, agir e falar, liberaram-nos, muitas vezes fortuito e gratuitamente suas ideologias, começávamos a virar gente, indivíduos, seres coletivos de uma única célula, chamada sociedade!
A dúvida que parece dívida é: o que devemos emitir, transmitir aos nossos alunos? A programação da aula? Que, sem, laço e abraço, torna-se jaula? Um amigo professor chegou a vociferar algo que me atormenta até os dias de hoje: "Amigo, aula é encontro, estudar é com o aluno! " Lermos jornais, revistas que trazem conhecimento, cultura ? Abominarmos programas fúteis e nada úteis que nos obrigam a uma "expiadinha" sim, com Z, expiar de sofrer, acabar-se aos poucos em um paredão de pior fuzilamento. O que nos traz aprendizagem é , sem hesitação, verdadeiros alimentos da alma e da formação, que ingerimos, engolimos e dirigimos e pretendemos que seja um surto ou talvez um insulto a quem nos ouve, se é que houve, quem trocou o celular por nós e nossa voz?
Devemos crer que "Queremos saber", não é Alberto Consolaro, Padre Ricci, Pastor Gilson, João JC Jabbour, Richard Simonetti? A cultura somente é curta para quem de mente só, furta-se do ignoto, seja esgoto, escroto ou piloto?
Aos professores as páginas, as lágrimas, as mínimas que virarão máximas; aos alunos, o alimento que é fomento, seja tormento, seja momento; a todos, a certeza de que decerto ninguém está certo, que dúvida mais fiel; no entanto, dê alimento aos bichos para que sobrevivam aos predadores, às dores, que sejam da emoção, quiçá da razão, senhores!
O autor é professor "com orgulho de ser bicho-homem"