Os próximos dias devem ser agitados nos bastidores políticos. Até 30 de junho, serão concluídas as articulações que definirão as alianças partidárias para as eleições, nas esferas estaduais e nacional. Em uma das possibilidades, o PR pode apresentar o deputado federal Milton Monti como candidato a vice-governador de Alexandre Padilha (PT). O ex-ministro da Saúde é a aposta de Lula para suceder Geraldo Alckmin (PSDB).
Ao JC, o parlamentar de São Manuel, com forte atuação na região de Bauru, afirmou que não há qualquer definição, mas confirmou que está sendo cotado para o posto. “Na política, tudo pode acontecer”, tentou desconversar, antes de admitir a hipótese.
Na busca por Monti como vice de Padilha, o PT reforça a necessidade de um nome que facilite a penetração de seu candidato junto ao eleitorado do Interior do Estado. Historicamente, a sigla tem mais espaço na região metropolitana de São Paulo, embora, neste ano, esteja enfrentando dificuldades na Capital por conta do altíssimo índice de desaprovação à gestão do prefeito Fernando Haddad (PT).
A reportagem apurou que, antes de confirmar o interesse em estar na chapa petista, Monti deve ponderar se valera a pena abrir mão da possibilidade de um novo mandato no Congresso Nacional.
A decisão final, porém, passa também pela Executiva estadual do PR, que, inicialmente, pretendia apoiar a reeleição de Alckmin. O PSDB, contudo, preferiu oferecer as vagas da disputa majoritária ao PSB, comandado em São Paulo por Márcio França, e ao PSD de Gilberto Kassab.
Os petistas, por outro lado, além do posto de vice de Padilha, colocaram à disposição do PR a suplência de Eduardo Suplicy (PT), que concorrerá ao Senado Federal. O nome sugerido pelo partido é o de seu presidente estadual, Tadeu Candelária.
Apesar disso, o PR continua dividido e mesmo o pré-acordo com o PT pode não ser definitivo, já que a convenção do partido, na semana passada, delegou o poder de decisão final à Comissão Executiva da legenda.
Tucanos
Tradicional aliado do PT na esfera federal, o PR poderá optar pelo apoio a Aécio Neves (PSDB) na eleição ao Palácio do Planalto. A sigla foi a primeira a anunciar o apoio a Dilma Rousseff (PT) em 2010, mas, nos últimos dois anos, cresceu a insatisfação por parte da bancada do partido. “Não é uma questão de atendimentos a pleitos ou cargos. Mas falta jogo de cintura. É fundamental a manutenção de um relacionamento próximo, o que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula (PT) faziam muito bem”, explica Milton Monti, que chegou a ser vice-líder do governo na Câmara Federal, durante a gestão do antecessor de Dilma.
O deputado de São Manuel garante, porém, que ainda não tem posição definida quanto à sucessão presidencial. “Acredito que a decisão não sairá nem da convenção nacional do partido, que acontece no domingo”.