08 de julho de 2026
Geral

Aventura sobre duas rodas


| Tempo de leitura: 3 min

Durante 30 dias, o técnico em eletrônica Alexandre Munhoz, 32 anos, percorreu exatos 11.660 quilômetros com sua moto Suzuki DR 650 em sua última viagem.  Com o objetivo de conhecer a região Norte do País e a Venezuela, o rapaz partiu de Bauru no dia 1 de maio e cruzou vários estados até o destino final.

 

Conheceu vários pontos da região Norte do Brasil como a rodovia BR-319 que liga Porto Velho a Manaus – conhecida como a “Rodovia Fantasma”, já que o próprio governo a destruiu por motivos políticos. Na viagem ele passou pela rodovia Transamazônica, o rio Amazonas, o monte Roraima - que tem tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Esteve no Salto Ángel que é a cachoeira mais alta do mundo com 979 metros de altura, a região do Caribe na Ilha Margarita, entre outros.

 

Assim como os lugares, as histórias e realidades que Alexandre viu foram múltiplas. “É incrível ver como existem tantas diferenças em lugares tão próximos um do outro. Ver de perto é muito diferente daquilo que se vê nos programas de televisão ou nos livros de Geografia”, fala. 

 

Alexandre sempre gostou de motos e de aventura. Uniu o útil ao agradável e acabou de chegar da sua décima viagem longa – a primeira foi em 2003 para o deserto do Atacama no Chile acompanhado de um amigo, apesar de preferir viajar sozinho. “Quando viajamos sozinhos nós somos obrigados a entrar em contato com o povo local, fazer amizades, conversar. E quando estamos em grupo nos limitamos a ele”, explica.

 

Choque de realidade

 

Alexandre já esteve em vários lugares da América do Sul como Cordilheira dos Andes, litoral brasileiro, Machu Pichu, Patagônia e Ushuaia só para citar alguns. E nesta viagem quis variar e conhecer a região norte do continente. “Todas as viagens que eu fiz foram para lugares mais desenvolvidos, com um maior grau de instrução e desta vez fui para lugares em que as pessoas vivem, praticamente, no descaso e sem nenhuma infraestrutura. Foi um choque de realidade”, comenta. 

 

Choque este que fez com que o bauruense mudasse alguns conceitos e valores. “Sempre que voltamos de uma viagem, nunca voltamos o mesmo, e com esta não foi diferente. Você sai do seu micro mundo e começa a enxergar o macro, começa a dar valor às coisas mais simples”, conta.

 

Aliás, esta viagem, na opinião de Alexandre, não foi a mais longa e nem a mais difícil, mas sim a com realidades sociais e econômicas mais contrastantes. “Às vezes você viaja pensando que só encontrará belezas, mas se depara com lugares que enfrentam problemas sociais – e bem ao nosso lado”.  Embora faça suas viagens sozinho, o bauruense conta que tem como companhia os vários objetos que leva na garupa: roupa, pneu, gasolina extra, água, barraca, máquina fotográfica, ferramentas da moto, itens de primeiros-socorros, entre outros. “Viajo como se tivesse alguém comigo porque o peso que isto acrescenta a moto chega a quase 50 quilos”. 

 

Mais marcante   

 

Apesar de vários quilômetros percorridos e muitos pontos com extrema beleza, passar pela BR-319 ficou marcado na memória de Alexandre. 

 

“Foi um ponto bem impressionante desta viagem porque você acaba conhecendo a história das pessoas que vivem lá e, apesar das dificuldades, é uma região muito hospitaleira e que está sempre querendo ajudar”. 

 

Mesmo sendo uma área que exige um certo cuidado - por conta da presença do garimpo, extração de madeira, assaltos e lutas por terra - o técnico em eletrônica conta que em nenhuma de suas dez viagens foi assaltado. “O risco sempre existe e tem que ficar sempre atento, mas não se pode generalizar e achar que só existem assaltos e coisas erradas nestes lugares”, fala.  

 

Sem roteiro

 

Apesar de existir um planejamento antes das longas viagens, o técnico em eletrônica diz que todos os dias são diferentes uns dos outros. “Dois meses antes de viajar, eu dou uma olhada no mapa para saber o trajeto e o tempo levarei, mas tudo pode mudar. Você sempre sabe como o dia começa, mas como ele termina é sempre um enigma”, relata.

 

Alexandre conta que em viagens como esta não há como se programar. Onde dormir, o que comer e o que conhecer será sempre uma surpresa.