08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Saco de pancadas"


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O Jornal dos Professores, órgão de divulgação do Centro do Professorado Paulista (nº 448/ junho/ 2014), publicou artigo sob o título "Saco de pancadas", de autoria de Roberto Musatti, economista (USP), mestre em Marketing (Michigan State); professor das Faculdades Reges. O assunto abordado, pela contestação apresentada, clara, objetiva, realista, chamou particularmente minha atenção. Entendo oportuno e positivo maior divulgação.

Ressalte-se, o trabalho do professor é um trabalho realizado com a criatura humana em termos de futuro e singularmente importante para os destinos da pessoa, da coletividade, da família, da pátria e da humanidade. Trabalho que não se faz com madeira, pano, couro ou latão, mas se faz com a matéria-prima imensurável que é a criatura humana. Trabalho que merece da coletividade o aplauso, apoio, reconhecimento. Assim definiu o CPP o trabalho do professor.

Roberto Musatti, autor do artigo, inicia afirmando que de há muito que gostaria de contestar as matérias do colunista Gustavo Ioschpe na revista "Veja", responsabilizando os professores por grande parte dos males da Educação.

Afirma Musatti sentir-se ?a cavaleiro? para contestar as matérias do colunista Ioschpe, pela semelhança de seu currículo com o dele, na formação de ambos desde as origens familiares cujas heranças desembocam na formação educacional. Esclarece que ambos cursaram o melhor da educação disponível para os que podiam arcar com seu alto custo. No caminho da vida, nós tomamos caminhos diferentes. Ioschpe mergulhou na ?academia? dos estudos, na área de educação e ele trilhou os passos do mercado, de forma bem diversificada. Dessa situação explica que a figura do professor pouco aparece como mentor principal do estado de coisas, que tem levado o país a fazer papéis lamentáveis nas avaliações internacionais como o PISA (Programa de Avaliação Estudantil, em inglês). Esclarece que a nossa política educacional pública dos últimos anos tem sido eleitoreira e míope, premiando números absolutos e impunidade em vez da qualidade.

Formamos analfabetos funcionais com aprovação automática, proibição de expulsões e a falta de autoridade de professores e diretores impedidos de praticar normas básicas de disciplina, punição e responsabilidade aos alunos que chegam ao mercado ou ao ensino superior, completamente despreparados.

Musatti conclui sua contestação afirmando que nossos professores não são em sua maioria os algozes descritos por Ioschpe, apenas a ponta do Iceberg, heróis anônimos na luta heroica contra a cultura, uma herança histórica que prioriza a sobrevivência e os privilégios da ?Corte de Brasília?, remunerando segurança do Congresso Nacional cinco vezes mais que o salário médio de um professor do ensino médio ou funcionário do Judiciário em até dez vezes o de um professor universitário, tratando o ensino como a atividade secundária, sem prestígio.

Cumprimento o sr. Roberto Musatti e muito grato pela análise crítica contestatória a favor dos profissionais do ensino, como bem dispõe de modo explícito a Constituição Federal, dispondo: "Valorização dos profissionais do ensino..." (art. 206 ? "V").

Rodolpho Pereira Lima