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João Rosan |
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Em Bauru, Álvaro Garnero fala de potenciais, fomentos e roteiros |
Empresário, apresentador de TV e “turista profissional”, Álvaro Garnero esteve em Bauru, nesta semana, para divulgar o ciclo de palestras que começou a ministrar no Estado e que chegará à cidade em agosto, com data ainda a ser definida. Em parceria com a União das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo (Uniesp), ele visitará os principais municípios do Interior paulista para relatar as experiências vividas em seu programa de viagens “50 por 1”, que deve estrear sua sétima temporada na Rede Record em janeiro do ano que vem.
Além de apresentador, Garnero é vice-presidente da Brasilinvest, grupo fundado por seu pai, Mário Garnero, e presidente do grupo Álvaro Garnero, formado por uma produtora de TV e pelas casas noturnas Mynt e Café de La Musique.
Em entrevista concedida no Espaço Café com Política do JC, ele destacou a importância da parceria público-privada para fomentar o potencial turístico inexplorado do País e ressaltou que, por menor que seja o lugar, sempre é possível desenvolver estratégias para lucrar no setor. “O Brasil é incrível. Tem tudo, só não tem neve”, observa.
O empresário também comemora o sucesso da realização da Copa do Mundo de 2014 e acredita que o evento, assim como as Olimpíadas de 2016, deixará um “legado fantástico” para o País. Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista.
JC - Você viajou o mundo. Como avalia a exploração no turismo do Brasil em comparação a outros países?
Álvaro Garnero - Já passei por 90 países e muitos recebem uma quantidade expressiva de turistas. No Brasil, recebemos 5,7 milhões de turistas por ano, menos do que a Argentina, que é um país de dimensões muito menores e com menos riquezas naturais. Mas, lá, eles têm a exploração de parques em parceria com a iniciativa privada. Só na região de São Paulo, temos mais de 80 parques que possuem o mesmo potencial, mas a burocracia é imensa e o empresário não se sente estimulado.
JC - Falta interação entre o setor público e privado?
Garnero - Agora está um pouco melhor. Mas, ainda usando meu exemplo, na Argentina, todos os 800 parques do país contam com a parceria público-privada. E isso se reflete nos números. O PIB do turismo no Brasil representa 3,5% do PIB total. Na Espanha, chega a 19%; no Vietnã, 16%; na Tailândia e Itália, quase 30%. E o Brasil é um país incrível para o turismo. Tem tudo, só não tem neve.
JC - Quais são os principais desafios para aumentar esses percentuais?
Garnero - Um deles é o fomento à aviação regional. Quando as companhias regionais começam a crescer, são compradas pelas grandes, que oferecem rotas muito ruins para o turista. Para ir de Salvador a Fortaleza, por exemplo, ele precisa passar por Brasília. E isso dificulta muito o desenvolvimento turístico do Nordeste, que tem praias maravilhosas, que não deixam nada a dever para o resto do mundo.
JC - O potencial turístico do Brasil é muito subestimado?
Garnero - O Brasil possui potencial de receber 25 milhões de turistas por ano, e só recebe 5,7 milhões, sendo 3 milhões para negócios e apenas 2,7 milhões para lazer. Se o turismo se desenvolvesse, seriam milhões de dólares a mais entrando no país, aumentando a renda do vendedor ambulante, dos motoristas de táxi, dos bares, restaurantes, hotéis, enfim, de toda a cadeia.
JC - Toda cidade, por menor que seja, tem capacidade para desenvolver seu potencial turístico?
Garnero - Com certeza. Cumbuco (praia localizada no município de Caucaia, Ceará, de 344 mil habitantes, do tamanho de Bauru) é um exemplo. Ficou conhecida por ter o melhor vento para a prática de kitesurf e está sempre cheia de gringos. E tem toda a estrutura para isso. Eu mesmo estou abrindo um Café de La Musique lá. Na região de Bauru, há rios com um potencial incrível para o turismo náutico, que também deve ser explorado.
JC - De que maneira o investimento em turismo pode contribuir para contornar o atual momento da economia?
Garnero - O turismo é uma grande indústria. Todo mundo tem o desejo de viajar, seja para perto ou para longe, para aliviar as pressões do dia a dia e aproveitar a família. É um retorno financeiro que vem fácil se houver investimento. A Embratur está fazendo o trabalho dela, mas precisamos de mais.
JC - Além do aspecto econômico, em que mais o turismo é vantajoso?
Garnero - O turismo agrega uma cadeia enorme, que envolve empresários, trabalhadores e toda a sociedade. Quanto mais turismo você tem, mais as pessoas daquela comunidade têm de estar preparadas, educadas e informadas para atender o turista. E o próprio contato com pessoas de fora enriquece a cultura destas populações.
JC - E o turista também é beneficiado com esta troca cultural?
Garnero - Claro. Comecei um circuito de palestras que fala exatamente sobre isso, sobre como os cinco sentidos são aguçados durante uma viagem. É uma conclusão que veio como resultado das quase 2,6 mil experiências que eu vivi durante as seis temporadas do meu programa (“50 por 1”, da Rede Record). O mundo inteiro está disponível na Internet, mas a experiência, não.
JC - Esta palestra virá quando a Bauru?
Garnero - Em agosto. A palestra fala um pouco sobre como nasceu o “50 por 1” e sobre como vivenciar as experiências é importante. A palestra recebeu o nome de “50 minutos com Álvaro Garnero”, mas acaba durando uma hora e meia, porque as pessoas ficam muito interessadas e cheias de perguntas.
JC - Você acredita que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 devem deixar um legado para o setor de turismo?
Garnero - Um legado fantástico. O País está sendo super bem elogiado pelos turistas que vieram para a Copa. O serviço que está sendo oferecido é de Primeiro Mundo. São mais de 1 milhão de pessoas e esta satisfação se transforma em propaganda boca a boca. Estamos mostrando que o Brasil não é um lugar de bandidos e a diversidade cultural de um país continental como o nosso está encantando os visitantes.