Nossos heróis não são os jogadores de futebol, seja de qual time for, até mesmo os da Seleção Brasileira que ganham milhões para chutar uma bola de vento para o gol passando ilusões ao povo de que são patriótas e que estão defendendo a Pátria. Nossos heróis são os soldados de fronteira e de selva armados em patrulhas, longe da família, vivendo em condições selvagens para dar segurança ao nosso País. Nossos heróis são aqueles médicos, enfermeiros e enfermeiras que trabalham em hospitais com goteiras e fétidas privadas, que atendem o público nos corredores superlotados, nos banheiros e nas recepções desses hospitais brasileiros que pouca condição tem de atender a população que muitas vezes morrem por falta de atendimento adequado.
Nossos heróis são os homens do Corpo de Bombeiro que entra em qualquer lugar onde haja fogo, nos barracos de favelas, nos apartamentos em altos edifícios salvando vidas; nas enchentes, rios e lagos resgatando pessoas em situação de risco. Os heróis são os delegados de polícia esclarecendo crimes complexos, é a polícia trocando tiros com criminosos. Nossos heróis são os pedreiros e serventes nas alturas das construções. Nossos heróis são os trabalhadores que saem nas madrugadas para ganhar um salário-mínimo retornando noite a dentro sofrendo as condições do transporte lotado e precário.
Heróis são os 12,5 mil trabalhadores demitidos da indústria paulista no mês de maio e, no acumulado em 12 meses, foram 85.000, conforme informa o jornal "O Estado de São Paulo" de 19/06.
Temos também nossos heróis póstumos, são os milhares de brasileiros, homens e mulheres, crianças, velhos e jovens meninas mortos sem clemência entregando seus pertences sem reação, por bandidos armados sanguinários protegidos por uma legislação conivente elaborada, sabe Deus como, certamente pelo crime organizado, uma vez que fora verificado parlamentares inocentando seus pares infratores, que impede o progresso de uma legislação compatível ao grau criminal, como a prisão perpétua ou a pena de morte, dando aos criminosos a leniência das leis, vez que, a função de toda a organização é proteger a organização, enquanto a cidadania perece desarmada, esquecida e desamparada, desprezada. Nada adiantará falar em segurança se não fortalecer as leis.
Portanto, nossos heróis não são os jogadores de futebol, que apenas ganham milhões para nos fortalecer de ilusões e de tempo perdido.
Alberto Nunes - jornalista.