08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sobre a concepção de partido


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A queda do aparato stalinista no Leste Europeu levou a maioria da esquerda a questionar não só o socialismo, mas também o partido de tipo leninista, responsabilizando-o pela deformação stalinista. A polêmica era e segue sendo a seguinte: os trabalhadores devem construir um partido revolucionário como o de Lênin na época da Revolução Russa? Ou é necessário um "novo tipo" de partido, que se convencionou chamar de partidos "amplos" (hoje chamados de "anticapitalistas"), semelhantes ao PT e ao PSOL?

Os objetivos estratégicos dos partidos (declarados ou não) definem seu programa, estatutos e funcionamento. Isso é o que chamamos de concepção do partido. A maioria absoluta dos partidos que conhecemos hoje tem um objetivo essencialmente eleitoral. O senso comum entende que todos os partidos são assim, para a disputa eleitoral. Mas isso não é correto.

Comecemos exatamente pelo mais comum, o eleitoral. Dentro da esquerda, esse tipo de partido foi historicamente associado à social-democracia, pela adequação à democracia burguesa europeia. No Brasil, o maior exemplo é o PT. O funcionamento desses partidos é adequado ao objetivo eleitoral. Formalmente existe uma liberdade completa, pois não existe uma centralização política. Mas, na verdade, é um funcionamento burocrático, um burocratismo parlamentar. São os parlamentares e governantes que têm acesso à mídia e passam para a sociedade sua própria posição. Defendem o que querem, sem nenhum controle da base. Ou seja, a posição política conhecida pelos trabalhadores é a definida pelos deputados, prefeitos e, em particular agora, o presidente. Os militantes ajudam a eleger os candidatos, mas não têm nenhum direito de definir o que os eleitos vão fazer.

Outro tipo de partido é o stalinista, que funciona com um regime centralista burocrático. O objetivo real do partido é garantir que sua direção possa fazer todos os tipos de acordos com a burguesia. Esses acordos são impossíveis de serem discutidos democraticamente e, por isso, impera o mais absoluto burocratismo. Esse tipo de partido nasceu com o stalinismo na URSS e rapidamente se disseminou para os partidos comunistas em todo o mundo. No Brasil, o maior exemplo é o PCdoB. Quaisquer diferenças com a direção são punidas com a expulsão. Não existe nenhum debate interno real e as tendências não são permitidas.

O centralismo democrático de Lênin. Na verdade, o centralismo democrático definido por Lênin é oposto ao centralismo burocrático stalinista. Como o objetivo estratégico é a luta pelo poder, são necessárias tanto a centralização como a democracia. Seu objetivo é que a classe operária tome e exerça o poder (e não somente o partido), é fundamental a existência da democracia para precisar a política concreta para cada mobilização e formar autênticos dirigentes das lutas. No centralismo democrático existe um amplo debate interno. Depois do debate, se vota e todos aplicam centralizadamente a política da maioria. Depois da aplicação se faz o balanço da política votada, se corrigem os erros.

O PSTU é um partido revolucionário que tem o centralismo democrático como base para seu funcionamento. É um partido formado por mulheres e homens comprometidos com a luta por um mundo mais justo e igualitário, um mundo socialista. Ao contrário dos demais partidos, o PSTU não prioriza as eleições, mas a ação direta como meio de transformar a realidade em que vivemos. É um partido composto por militantes que atuam no movimento sindical, estudantil e popular. Mas para que um partido? Muitos ativistas engajados na luta sindical, estudantil ou em movimentos sociais e populares acreditam que sua luta diária seja suficiente. Acreditamos que só a luta muda a vida, porém, sem um sentido estratégico a essas lutas, suas conquistas tendem a ser temporárias no sistema capitalista.

Direção Regional - PSTU Bauru