O planejamento das organizações deve levar em conta o cenário econômico atual, contudo, também é necessário analisar com muita serenidade o que está por vir, ou seja, o que espera a economia nacional no longo prazo.
No curto prazo há sinais evidentes de deterioração dos principais indicadores econômicos. A inflação é verdadeira e persistente. O engessamento econômico para controlar os preços, inibindo a demanda, já reflete na revisão para baixo do crescimento econômico. As projeções apontam para o pífio crescimento de 1,5% em 2014 se comparadas a 2013. Também na visão de curto prazo o setor externo patina. Com preços mais baixos, mesmo aumentando o volume exportado, a balança comercial não gera excedentes capazes para equilibrar o balanço de pagamentos, com isso a intervenção mais firme no câmbio, por parte do Banco Central continuará. Outro fator agravante é a gestão das contas públicas, com um governo federal pouco comprometido em manter as despesas sob controle.
Por este panorama, o indicativo seria "jogar a toalha". Exatamente por este prisma que é importante aos agentes econômicos irem além das evidências momentâneas, de curto prazo. Há consenso que em 2015 serão inadiáveis ajustes na economia. De um lado, se efetivamente os ajustes ocorrerem, haverá sacrifícios internos, reduzindo o nível de atividade econômica, com combate firme a escalada de preços, mas com uma ação necessária: priorizar os investimentos.
Quando a intenção é combater os desequilíbrios internos de maneira definitiva é preciso um choque de investimentos. Isso significa criar condições para a economia crescer sustentadamente. É evidente que os governantes não terão um caminhão de recursos para fazer esta virada, mas se houver a disposição em oferecer as condições para esta sustentação do crescimento à confiança dos agentes econômicos é retomada e, via parcerias público-privada, o país poderá encontrar finalmente o caminho para crescer sem gerar os indesejados desequilíbrios.
A partir desta leitura fica evidente que não podemos desconstruir o que existe atualmente. Decisões heróicas em relação à gestão das organizações, sem que haja criteriosa análise de causa e efeito, não garantirão o devido preparo para tirar proveito das condições favoráveis que virão após ajustes. É certo que hoje o setor privado mantém suas atividades com sacrifícios, e isso tem limite, mas também é certo que a desconstrução de modelos eficazes de gestão não será o caminho da superação das dificuldades.
O equilíbrio entre os ajustes agora, no curto prazo, e o preparo para a retomada do crescimento da economia, no longo prazo, fará toda diferença.
O autor é economista e articulista do JC