10 de julho de 2026
Articulistas

Crescimento, desenvolvimento e planejamento em Bauru

Archimedes Raia Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

Segundo a Fundação Seade, Bauru chega, ao final do primeiro semestre de 2014, a mais de 352 mil habitantes. Apesar das dificuldades, sob os mais diversos enfoques, Bauru vem se desenvolvendo de maneira satisfatória. Medido decenalmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Bauru foi 0,801, em 2010. Era 0,607, em 1991 e 0,736, em 2000. O município estava situado, em 2010, na faixa considerada de desenvolvimento humano muito alto (IDHM entre 0,8 e 1,0).

O IDHM engloba três dimensões importantes para a qualidade de vida das pessoas em um município: a oportunidade de se desfrutar uma vida longeva e saudável (saúde), dispor de acesso ao conhecimento (educação) e poder desfrutar de um padrão de vida digno (renda). Entre 2000 e 2010, a dimensão que mais cresceu em termos absolutos, em Bauru, foi educação, seguida por longevidade e por renda. No decênio anterior, a dimensão que mais havia crescido em termos absolutos fora a educação, seguida por longevidade e por renda.

No período de 1991 a 2010, Bauru apresentou um incremento em seu IDHM de apenas 32%, abaixo da média de crescimento nacional (47%) e inferior à média estadual (35%). Apesar disso, Bauru ocupava a 37ª posição, em 2010, em relação aos 5.565 municípios brasileiros. Comparando-se com os demais 645 municípios paulistas, Bauru ocupava a 20ª posição. O município com melhor índice foi São Caetano do Sul (0,862). Municípios paulistas que estavam à frente de Bauru são: 11º Jundiaí (0,822), 14º Santo André e Araraquara (0,815), 25º Presidente Prudente (0.806), 28º São Carlos (0,805) e Rio Claro (0,803). Ribeirão Preto vem logo atrás, em 40º (0,800).

Bauru está atingindo um nível de "cidade média grande", momento em que os problemas vão se transformando em desafios de grandes proporções, seja no trânsito, transporte coletivo, saneamento, saúde, educação, segurança, empregos, etc. A partir deste patamar, é imprescindível que o planejamento urbano (no seu sentido mais amplo) seja realizado de forma abrangente, integrada e holística.

Neste momento, a cidade apresenta a ideia e debate a estrutura de planejamento a ser consolidada, principalmente com a implantação de um instituto de planejamento. Ordenar o crescimento da cidade com a distribuição adequada das atividades urbanas; desenvolver soluções integradas, com o objetivo de melhorar as condições sociais e econômicas da população; promover articulações entre as políticas e diretrizes setoriais que interfiram na estruturação urbana do município, planejar ações visando a mobilidade segura e sustentável, são alguns dos seus objetivos estratégicos.

É preciso muita maturidade política no debate e implementação do pretenso instituto. Questões ideológicas partidárias devem ser deixadas de lado, pois as consequências de decisões equivocadas neste momento poderão conduzir o município a um nível crônico de problemas pelo planejamento inadequado (ou a falta dele). Os dados apresentados em relação ao IDHM dão indícios de que o município pode caminhar certo, porém precisa-se pensar alto com relação ao seu planejamento. Afinal, Bauru já se tornou uma cidade grande, como grandes também são os seus desafios e que precisam ser enfrentados com competência.

O autor é docente do curso de Engenharia Urbana da UFSCar, diretor de Mobilidade da Assenag e articulista do JC