O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, expressou seu apoio a um Estado curdo independente, neste domingo (29), tomando uma posição contrária àquela dos Estados Unidos e de grande parte dos países do Ocidente, que preferem que o Iraque se mantenha unido, apesar dos conflitos sectários.
"Nós devemos [...] apoiar a aspiração curda por independência", disse Netanyahu, em encontro com um "think-tank", em Tel Aviv, depois de abordar o que descreveu como o colapso do Iraque e de outras regiões do Oriente Médio diante do conflito entre árabes sunitas e muçulmanos xiitas.
Os curdos, disse o primeiro-ministro, "são um povo lutador, que provou seu comprometimento político e merece independência".
Israel tem mantido uma discreta ligação militar, de inteligência e econômica com o Curdistão (região autônoma no norte do Iraque) desde os anos 1960, vendo no grupo étnico minoritário uma proteção contra adversários árabes em comum.
Os Estados Unidos querem restaurar a unidade de um Iraque fracionado. Na terça-feira (24), o secretário de Estado, John Kerry, visitou líderes curdos iraquianos e pediu para que busquem a integração política com Bagdá.
Netanyahu também desafiou os países do Ocidente afirmando que Israel teria de manter uma presença militar de longo prazo na Cisjordânia, mesmo depois de possível futuro acordo de paz com os palestinos.
Os palestinos querem que a Cisjordânia seja o coração de um futuro Estado independente, posição amplamente endossada pela comunidade internacional.
Embora admitindo que um acordo de paz poderia um dia permitir a criação de um Estado palestino independente, o primeiro-ministro argumentou que Israel não poderia entregar sua necessidade de segurança para os palestinos ou as forças internacionais. Segundo ele, os palestinos "não são capazes" de garantir a segurança, e as forças estrangeiras acabariam por retirar-se do território.