08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Maquiavel e a dama


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Maquiavel aconselhava assim os príncipes. Para que eles fossem sempre amados pelo povo, quando todos estavam revoltados com os altos impostos, pegassem uma pequenina parcela desses impostos escorchantes e dessem aos mais pobrezinhos, os que mais gritavam porque mais sofriam e eles iriam adorá-lo, pois já estavam quase morrendo de fome. Isso faria com que fossem aclamados protetores dos pobres e enquanto isso iriam se locupletando e aos seus correligionários com poderes, cargos, riquezas ilícitas e ninguém reclamaria.

Para tornar seus conselhos de outrora em atitudes de hoje, assistimos à dama dando migalhas aos mais pobres, enquanto vão se criando ministérios e ministérios. Na agricultura, os de abobrinhas, chuchus e repolhos; na indústria o do motor, da rosca e do parafuso, no transporte o do trem, da barca e do ônibus, sem que esses novos ministros precisassem sequer conhecer o assunto e muito menos trabalhar. Mas quando bateu na saúde, onde o povo está lá para ver, não dá para nomear se não for médico de verdade, não dá para ficar sem trabalhar porque o povo está lá, na maca, no corredor do hospital, e não importa de que partido seja, não tem como tapar o sol com a peneira e passar por boazinha e heroica. E nem dá mais para esconder o mensalão debaixo do tapete, a imprensa está aí para divulgar como estão sendo tratados os mensaleiros amiguinhos da dama.

Enfim, nem Maquiavel deu conselhos que, adaptados aos dias de hoje, deem jeito para aumentar o Ibope da dama.

Isolina Bresolin Vianna