08 de julho de 2026
Geral

Inverno amplia vazamentos de água

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Se, no verão, a produção insuficiente de água deixa os bauruenses revoltados com as torneiras secas, no inverno, são os vazamentos que se tornam o maior transtorno aos moradores. Segundo dados do Departamento de Água e Esgoto (DAE), o volume de reclamações sobre este problema nesta época está 33% maior do que no início do ano.

Aceituno Jr.

Simone Alves, 47 anos, diz que vazamento tem provocado constante falta d’água na Vila Souto

Ontem, por exemplo, o Serviço de Atendimento ao Público (Stap) da autarquia acumulava 550 reclamações sobre vazamentos ainda não reparados. Em 30 de janeiro, o número era de 414 queixas não resolvidas. Engenheiro civil da divisão de produção e reservação do DAE, Isaar de Almeida explica que os bairros mais atingidos são os antigos, cuja tubulação de distribuição de água é feita de ferro.

“Com a diminuição da temperatura, o ferro se contrai e esta movimentação gera vazamento nas juntas. Elas são de material plástico flexível, mas vão ficando rígidas com o passar do tempo. Então, podem se romper ou deixar de fazer a vedação adequada. Em casos mais raros, até o tubo de ferro pode trincar”, detalha.

Entre as regiões mais prejudicadas, Almeida cita a Vila Falcão, o Parque Vista Alegre, o Jardim Bela Vista, o Centro, a Vila Cardia e a Vila Independência. E é neste último bairro que mora o aposentado Edevar Roberto Zaratini, 70 anos, que convive há dois meses com um vazamento.

O problema está localizado na quadra 4 da rua Felicíssimo Antonio Pereira. Ele mora uma quadra abaixo e vê a água escorrendo diariamente em frente à sua casa. “Jorra água. É um desperdício de dar dó e um descaso muito grande com a população”, reclama.

Abastecimento

Segundo a assessoria de imprensa do DAE, o vazamento só foi registrado no Stap da autarquia em 22 de junho. O departamento informou ainda que os reparos serão executados no decorrer dos próximos dias. Conforme acredita Zaratini, o problema pode até mesmo ser a causa da falta de água constante no bairro.

Porém, o engenheiro civil do DAE esclarece que os vazamentos, por si sós, não são capazes de interromper o abastecimento de água nesta época do ano, em que o consumo reduz sensivelmente. “Mas, dependendo do porte do vazamento, o sistema tem de ser fechado para a devida manutenção. E os moradores daquela região podem ficar sem água temporariamente”, comenta.

Ainda de acordo com Almeida, durante o verão, a tubulação antiga não sofre o mesmo impacto, já que a água não chega a alcançar temperaturas suficientemente elevadas para expandir a tubulação a ponto de provocar danos em sua estrutura ou nas juntas. “A água que vem do Rio Batalha ou dos poços fica nos reservatórios antes de ir para a rede de distribuição, o que ajuda a deixá-la com temperatura até mais baixa que a do ambiente”, pontua.

Embora a cidade tenha registrado o dia mais frio do ano ontem (leia mais abaixo), as temperaturas devem voltar a subir a partir de amanhã.


Jorram água e também reclamações

Morador do Jardim Bela Vista, o cabeleireiro Sílvio Antonio de Oliveira, 50 anos, diz conviver com um vazamento em frente à sua casa desde janeiro deste ano. Segundo ele, a água começou a escorrer na guia da quadra 10 da rua na Alto Purus e uma equipe do DAE chegou a quebrar a calçada, mas o problema não foi resolvido.

“A água continuou a jorrar e tivemos de reclamar muito até virem tapar o buracão que foi feito. Faz pouco tempo que vieram aqui cimentar, mas, como o vazamento continua, a calçada nova começou a ceder”, reclama. Situação semelhante também pode ser verificada na quadra 1 da rua Bento Cosci, no Jardim Samburá.

Assim como Oliveira, a funcionária pública Simone Barbosa Alves, 47 anos, diz que já registrou inúmeras queixas junto ao DAE. Há cerca de um mês, um vazamento na quadra 4 da rua Almirante Barroso, na Vila Souto, tem tirado seu sossego.

O departamento informou que uma equipe já esteve no local e não identificou o vazamento. No entanto, ao longo desta semana, técnicos retornarão ao endereço para tentar solucionar o problema, mesmo que seja necessário abrir a rua para procurar a falha na rede de distribuição.

Em relação à reclamação do morador da rua Alto Purus, o DAE informou que um novo vazamento no subsolo (não visível) já foi detectado e que os reparos serão realizados ainda nesta semana. A assessoria de imprensa da autarquia salienta que os vazamentos devem ser comunicados pelo telefone 0800 771 0195, que recebe ligações apenas de telefone fixo, ou 3235-6140 e 3235-6179 para ligações feitas por aparelho celular. O atendimento ocorre 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados.


Manhã de ontem foi a mais fria de todo o ano

E a tubulação “sofreu” nos últimos dias. Uma frente fria que conseguiu romper o bloqueio atmosférico persistente sobre a região derrubou as temperaturas desde o último domingo em Bauru. Na madrugada de ontem, a cidade registrou novo recorde de frio em 2014, com termômetros atingindo os 9,2 graus às 5h25.

Até então, a temperatura mais baixa deste ano havia sido registrada no dia 27 de maio, quando o frio chegou a 9,9 graus, segundo medições do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Mas foi uma frente fria fraca, que não foi capaz de trazer chuvas ou mudar significativamente as condições do tempo”, considera a meteorologista CPTec/Inpe, Naiane Araújo.

O avanço da massa de ar seca e fria manterá as temperaturas baixas somente até hoje, quando a temperatura mínima poderá chegar a 7 graus durante a madrugada e máxima, a 22 graus ao longo do dia. Amanhã, o tempo volta a esquentar, embora não haja previsão de calor intenso. Até o fim de semana, o céu permanecerá parcialmente nublado e sem chuvas, com registro de mínimas de 12 graus e máximas de 29 graus.


Cidade registra o junho mais seco desde 2002

O mês de junho terminou, ontem, com uma marca recorde. Os últimos 30 dias foram os mais secos dos últimos 12 anos para esta época, o que reforça os baixos índices pluviométricos que vêm sendo registrados em Bauru desde o verão passado.

Segundo dados do IPMet da Unesp de Bauru, a precipitação acumulada no mês passado foi de 0,5 milímetro, maior apenas do que o registrado em 2002, quando nem uma gota sequer atingiu a cidade. Embora o inverno seja tipicamente uma estação seca, as médias haviam sido bem mais elevadas em anos passados.

Em junho de 2013, por exemplo, foram 78 milímetros de chuva. No mesmo mês de 2012, 197,6 milímetros.

Os atuais e pífios índices, no entanto, acompanham um fenômeno que vem se desenhando durante todo o ano de 2014, devido ao que a meteorologia chama de bloqueios atmosféricos.

No primeiro semestre, eles fizeram com que chovesse menos que a metade do volume esperado para este intervalo.

De janeiro a junho de 2014, foram 495,7 milímetros de chuva, bem menos do que os 994,6 contabilizados na primeira metade de 2012 e os 967,5 registrados no mesmo período de 2013.

Meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTec/Inpe), Naiane Araújo explica que os bloqueios atmosféricos são formados por sistemas de alta pressão que impedem a passagem de frentes frias. Não há, contudo, uma explicação precisa sobre o motivo de eles estarem persistindo sobre nossa região desde o final do ano passado.