10 de julho de 2026
Internacional

Argentina enfrenta problemas com credores; entenda o caso

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Neste ano, a Argentina está perto de dar um novo calote de suas dívidas, como ocorreu em 2001. O país está em litígio com o fundo NML, para quem deve US$ 1,3 bilhão. O fundo venceu o governo argentino na Justiça do Estados Unidos, que determinou o pagamento imediato e na íntegra do débito.

Pagar esses credores pode afetar toda a dívida renegociada, com outros credores, em 2005 e 2010, em uma conta que pode superar US$ 100 bilhões - as reservas do país hoje não chegam a US$ 30 bi.

Leia as perguntas e entenda os detalhes do problema:

Como a crise começou?

Argentina começou os anos 1990 com hiperinflação. Em 1991 lançou o Plano de Conversibilidade, para zerar a inflação: um peso valia US$ 1. Para crescer, o país aumentou sua dívida externa.

O que são os títulos?

Durante a crise econômica de 2001, país parou de pagar as dívidas. Parte delas era na forma de títulos --papéis que o governo oferece a estrangeiros para se financiar.

Houve renegociação?

Em 2005 e 2010, a Argentina procurou os credores e ofereceu valores menores e novos prazos de pagamento. A maioria deles (92%) aceitou os termos, o que significava receber menos.

E os que não aceitaram?

Credores que não aceitaram renegociar com o governo argentino - e detinham 8% dos papéis - venderam os títulos a fundos "abutres", que compram dívidas não honradas por preços baixos, para cobrar o valor integral mais tarde.

E a derrota nos EUA?

Em 16.jun, um dos fundos "abutres", o NML, venceu uma disputa com o governo argentino na Suprema Corte dos EUA. Segundo a decisão, a Argentina tem de pagar ao fundo o valor integral mais juros e multas: US$ 1,3 bilhão.

Quais as consequências?

A decisão pode se estender aos outros credores que também não aceitaram a renegociação, o que elevaria a dívida a US$ 15 bi, mas o governo só tem cerca de US$ 30 bi de reservas.

Acordo está em risco?

O governo pode tentar chegar a um acordo com os credores com quem está em litígio. Mas, ao fazer isso, coloca em risco o acerto feito com quem aceitou receber menos, já que o contrato permite que eles optem por uma oferta melhor conquistada pelos outros.

Houve calote?

Como o pagamento a credores que renegociar não foi feito em 30 de junho, houve um "calote técnico". Mas há um prazo de carência de 30 dias para que um calote efetivo seja declarado.

E agora? Quais são os próximos passos?

A expectativa é que os credores que não aceitaram a reestruturação e o governo argentino se reúnam para chegar a um acordo antes de 30 de julho, quando o país poderia dar o segundo calote em 13 anos. Um encontro entre as partes está marcado para 7 de julho.