A Polícia Civil de Garça investiga a queda de menino de 4 anos de um carro em movimento, ocorrida no final de semana. Uma das suspeitas é de que a criança tenha sido lançada para fora do veículo pela própria mãe, de 24 anos. Para esclarecer se houve crime ou se tudo não passou de acidente, a polícia conta com a ajuda de testemunhas. O menino teve escoriações pelo corpo e está sob os cuidados do pai, que conseguiu a sua guarda provisória.
De acordo com o delegado da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Flávio Augusto Therezo Rodrigues, no sábado à noite, uma testemunha que estava na rua Remídio Formigoni, no Jardim Sol Nascente, viu quando a porta de um carro em movimento se abriu e a criança caiu na rua. Na sequência, o veículo seguiu viagem, sem prestar socorro à vítima, que teve escoriações na cabeça, mãos e pés.
O menino foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi medicado, e o Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar o caso. Um boletim de ocorrência foi registrado para investigar eventual crime. “A mãe da criança apareceu na delegacia, junto com a família dela, e, num primeiro momento, eles falaram que não sabiam de nada”, conta. “Só que as versões deles eram conflitantes com a versão da testemunha. Inclusive, o carro foi reconhecido como sendo o carro da família”.
Novo depoimento
Anteontem, a mãe do menino foi novamente ouvida pelo titular da DDM, junto com um cunhado. “Eles apresentam uma outra versão agora, dizendo que eles estavam dentro do carro e que a criança estava também. Só que eles dizem que não viram quando ela caiu”, diz o delegado. “Para a polícia, essa versão apresentada pela mãe e pelo cunhado é totalmente contrária a todas as evidências que foram colhidas”.
Nos próximos dias, Rodrigues espera localizar e ouvir outras eventuais testemunhas que possam ter presenciado o fato. “Nós estamos atrás dessas pessoas para reforçar ainda mais as provas”, justifica. “O que a polícia deseja esclarecer é em que circunstâncias os fatos ocorreram, ou seja, se alguém jogou essa criança de dentro do carro, dolosamente, ou se ocorreu um acidente, com omissão de socorro”.
Se ficar comprovado que o menino foi empurrado de propósito, segundo o delegado, o responsável poderá responder por tentativa de homicídio qualificado. No caso de queda acidental, ele explica que as pessoas que estavam no veículo podem responder por lesão corporal culposa (sem a intenção) e omissão de socorro, ou até mesmo lesão corporal com dolo eventual, caracterizador de tentativa de homicídio.