09 de julho de 2026
Regional

Integrantes do Irmã Dorothy acampam em usina de Espírito Santo do Turvo

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 5 min

Daniel Negrini/Divulgação

Cerca de 60 integrantes do Movimento Irmã Dorothy, da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), estão acampados em frente a uma usina

Com o objetivo de reivindicar os salários atrasados dos ex-funcionários de uma usina fechada da cidade de Espírito Santo do Turvo (75 quilômetros de Bauru), cerca de 60 integrantes do Movimento Irmã Dorothy, da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), estão acampados desde às 5h desta quarta-feira (2) em frente à usina, localizada na rodovia Engenheiro João Batista Cabral Rennó (SP 225).

Segundo o coordenador geral do Movimento Irmã Dorothy, Paulo Henrique Rodrigues, os manifestantes, que estão em barracas e com faixas,  reivindicam para que o acerto de contas das ações trabalhistas dos ex-funcionários possa ser agilizado.

“A nossa principal reivindicação é que a usina pague todos os funcionários. Infelizmente, eles são pais de famílias e não estão tendo o que comer. A preocupação nossa é com essas famílias, que precisam de um sustento. Por isso, estamos aqui  esperando algum representante da usina para conversar e nos dar um parecer”, afirmou.

Para Paulo Henrique, a usina deveria vender a fazenda de aproximadamente 650 alqueires para o Incra e pagar os ex-funcionários com o dinheiro da venda. “Essa seria uma boa alternativa. Além disso, ficamos sabendo que a usina fez uma negociação de R$ 210 milhões. É muito dinheiro para não pagar os ex-funcionários”, disse.

A expectativa é que até o final desta tarde 300 pessoas estejam pelo local para reivindicar junto ao Movimento. “Muitos dos ex-funcionários estão vindo para  reivindicar conosco. Além disso, mais de 15 ônibus estão vindo de São Paulo com integrantes da Frente Nacional e devem chegar aqui amanhã ou sábado”.

A Polícia Militar (PM) foi acionada para acompanhar a manifestação que, até o momento, segue pacificamente.

Movimento nacional

Paulo Henrique informou para a reportagem do JC que a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade realiza manifestação em todo o Estado de São Paulo para reivindicar a reforma agrária e o acerto de contas de ex-funcionários de usinas fechadas. “Um grupo está marchando da cidade de Assis até São Paulo. Além disso, 60 usinas em todo o Estado serão acampadas pelos integrantes da FNL”, explicou.

Daniel Negrini/Divulgação

Manifestantes colocaram faixas e cartazes próximo à usina, em Espírito Santo do Turvo

Daniel Negrini/ Divulgação

A expectativa é que até o final desta tarde 300 pessoas estejam pelo local para reivindicar junto ao Movimento

Frente em São Paulo

Cerca de 150 integrantes da Frente Nacional de Luta (FNL), que saíram a pé de Assis no dia 8 de junho, chegaram de manhã desta quarta-feira (2). a São Paulo e interditam uma faixa da Marginal Pinheiros, sentido Interlagos, na altura da Ponte do Jaguaré, na zona oeste da capital. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), por volta das 6h30, o grupo, que realiza a “Marcha Nacional em Defesa da Agricultura”, chegou a interditar uma das pistas da rodovia Castello Branco, sentido capital paulista, na região de Osasco, provocando congestionamento de 8 quilômetros.

A FNL reivindica avanços na reforma agrária. Os manifestantes pretendem se encontrar com membros do MTST para protesto conjunto.


‘Novela’ da Sobar se arrasta desde 2000 e envolve a antiga Petroforte

A antiga Sobar entrou em crise financeira em 2000 e foi adquirida pela Petroforte, de Ari Natalino, que foi afastado do cargo três anos depois por não ter quitado empréstimo com Banco Rural. Ela foi arrendada pela empresa Agroindustrial Espírito Santo do Turvo Ltda., assim que o Banco Rural tomou posse em abril de 2003, por força de ação de execução judicial expedida pela 2ª Vara Cível de Santa Cruz do Rio Pardo.

Natalino não pagou arrendamento mercantil feito junto à instituição financeira. Após a crise financeira da Petroforte, para gerir a destilaria, em 2003, foi criada a Agroindustrial Espírito Santo do Turvo Ltda (Agrest), ligada ao Banco Rural, da ex-banqueira Kátia Rabello, que foi condenada a 18 anos e 8 meses de prisão no processo do “Mensalão”.

No processo de falência, foi revelado que o dono da Petroforte, Ari Natalino, teria escondido propriedade da usina Sobar quando veio a falência da sua distribuidora. Ele foi acusado de simular a dívida com a Rural Leasing, que teria confiscado a destilaria após a crise financeira por falta de pagamento. Natalino faliu em 2003 por causa de coleção de processos por estelionato, falsificação e sonegação de impostos.

A Agrest encerrou suas atividades em 2012, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) incluiu a destilaria de Espírito Santo do Turvo na falência da Petroforte.

Após protestos na cidade, em maio de 2012, tentou-se uma via negociada de compra da usina pelos representantes de José Alberto Tavares Junqueira e de JJ Participações Ltda. com concordância do juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18ª Vara Cível de São Paulo,  para atenuar os problemas sociais no município.

Mas a decisão foi revertida na 2ª instância pelo síndico da massa falida, que não concordou com o fato da empresa ficar fora da massa falida da Petroforte. A destilaria funcionou por um ano, mas, em fevereiro de 2013, teve que parar as atividades devido às discussões judiciais da falência.


Prefeito reclama queda de receita no município

O prefeito de Espírito Santo do Turvo, João Adirson Pacheco (PSDB), diz que apoia o ato do Movimento Irmã Dorothy. “É um movimento em defesa dos trabalhadores. Nós estamos aqui para apoiar tudo aquilo que for para que a usina volte a funcionar e para que trabalhadores possam receber. Esse é o grande objetivo nosso”, declara. “A gente precisa pensar nos trabalhadores e fazer essa usina voltar a funcionar porque ela é a riqueza do município”. O principal problema decorrente do fechamento da usina Sobar, na avaliação do prefeito, foi a queda entre 30% e 35% na arrecadação. “O prejuízo é muito grande. A administração precisa fazer um esforço danado para equilibrar as contas e o município não comprometer o orçamento”, revela. A citricultura é que tem garantido os empregos na cidade