Um trabalho de revisão na frota de caminhões e vans da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) atrasou as coletas domiciliar e seletiva em até três horas ontem. A decisão pela manutenção de última hora foi tomada pela presidência e diretoria de limpeza pública após acidente anteontem com um caminhão basculante carregado com resíduos de capinação, que seguia pela rodovia Marechal Rondon (SP-300) até o aterro sanitário. O veículo, de 1986 - o mais velho da empresa -, capotou e três se feriram (leia mais ao lado).
Cerca de 15 caminhões de coleta, que atuam nos quinze setores de limpeza pública no período da manhã (à noite, são mais 10 setores), passaram por revisão mecânica. Além desses veículos, a frota da Emdurb é composta por mais dez, entre vans e caminhões de limpeza de praças e podas de árvores. Os veículos foram saindo aos poucos até o final da manhã.
“Por conta do acidente ontem (anteontem), decidimos fazer essa revisão antes dos caminhões saírem às ruas. No entanto, quero frisar que a manutenção é feita diariamente pelos mecânicos”, explicou o gerente de limpeza pública, Nivaldo Aparecido Rio Peres.
Ao todo, 75 funcionários, entre coletores e motoristas, ficaram de braços cruzados em frente à garagem da Emdurb, localizada na rua Aparecida, ao lado do Terminal Rodoviário. A previsão para todos os veículos estarem nas ruas seria até o final da manhã. “Creio que até umas 15h, 16h, o serviço de coleta deve ser normalizado no município”, garantiu Peres.
Enquanto ele afirma que a manutenção preventiva nos veículos é feita todos os dias, o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm), Valdecir Rosa, nega. “Não acontece essa manutenção, mas não por culpa dos mecânicos. Mas sim porque os veículos não param: correm durante o dia e até durante a noite”, critica Rosa.
Ele explica ainda que, quando os veículos chegam à garagem, é somente para conserto. “Quebra todo dia. Também não têm equipamento para fazer essa manutenção preventiva. Estou há 18 anos na Emdurb e nunca teve isso”, afirmou.
‘Gambiarra’
Do lado de fora da garagem, um dos funcionários da Emdurb, que não quis se identificar, falou em gambiarra. “Eles costumam tirar pneus gastos de um caminhão e colocar em outro. Vão empurrando com a barriga até quando dá. Fora outras gambiarras. E, mesmo assim, os veículos continuam rodando”, afirma.
Outro funcionário critica. “Sempre foi desse jeito e nunca vai mudar. A questão da segurança passa longe daqui”.
Capotou
Uma das vítimas do capotamento de anteontem na rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Bauru, é irmão do diretor do Sinserm, Valdecir Rosa. “Ele está bem, graças a Deus. Porém, me contou que a motorista perdeu o controle e capotou após o eixo dianteiro se soltar. Ou seja, se desprendeu antes de bater. Isso é a resposta clara de que não há manutenção preventiva dos caminhões”, disse.
Conforme noticiado pelo JC, o acidente ocorreu anteontem à tarde, no quilômetro 349 mais 700 metros da Rondon, no sentido Bauru-Avaí. Conforme o JC apurou, trata-se do caminhão mais velho da Emdurb, fabricado em 1986 e reformado no segundo semestre de 2010.
‘Os mecânicos são milagreiros’, diz diretor do sindicato dos servidores
Diante da discussão sobre a revisão preventiva nos caminhões de coleta da Emdurb, o diretor do Sinserm, Valdecir Rosa, fala em esforços fora do comum. “Os mecânicos são milagreiros. Eles trabalham até a noite e, às vezes, nos finais de semana. Os caminhões já chegam quebrados da rua. Como fazer manutenção em algo que já está com defeito? Também não têm equipamento para fazer essa preventiva nos caminhões e tampouco peças”, critica Rosa.
Já o gerente de limpeza pública, Nivaldo Peres, garante o contrário. “Ao término da coleta nos determinados setores da cidade, o motorista faz a ordem de serviço, caso tenha um eventual defeito no caminhão, que passa por inspeção geral. Existem, sim, peças de reposição e pneus, que são comprados através de licitação”, defende-se.
Em relação à frota da Emdurb, o diretor do Sinserm, Valdecir Rosa, afirma que a vida útil de um caminhão de coleta de lixo seria, no máximo, de seis a sete anos. Porém, essa troca de veículos não é feita. “Se fizer um levantamento, tem caminhão de 1984 rodando e de 1995 fazendo coleta de lixo”. O mais antigo, conforme o JC apurou, é de 1986.
Rodrigo Agostinho: ‘Se eu pudesse, comprava logo uns 40 caminhões’
A solução para acabar com o problema e os riscos seria a troca na frota atual. É o que defende o Sinserm.
Questionado sobre a renovação da frota, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) foi categórico ao dizer que não tem verba. “ Se pudesse, comprava logo uns 40 caminhões de coleta. O problema é dinheiro. Em Bauru, não existe taxa do lixo e eu não vou criá-la. No entanto, realizamos uma boa reforma nos veículos”, disse o prefeito.
“À medida do possível, estamos comprando de um a dois caminhões por ano. Porém, não é só comprar o caminhão. É preciso bancar todo o equipamento para adaptar no veículo e fica muito caro”, completa.