Uma placa eletrônica de arduíno, sensores e muita criatividade. Essa mistura resultou em um projeto de “gente grande”, mas que, na verdade, foi feito por estudantes com idade entre 11 e 15 anos, alunos do Sesi 358 (Horto), de Bauru. Com o protótipo, que identifica focos de incêndio no cerrado, os jovens conquistaram o segundo lugar em um campeonato mundial, que aconteceu entre 28 e 31 de maio, em Pamplona, na Espanha.
O professor e técnico dos alunos, Paulo Roberto Fernandes, explica que, para participar da etapa nacional do Torneio de Robótica First Lego League (FLL), que reuniu mais de 60 equipes, era preciso “ter uma visão crítica do local onde vivem e pensar em algo inovador”, disse.
Com ideias e iniciativas próprias, os estudantes pensaram e, com a ajuda do professor, criaram um protótipo para monitorar incêndios nas áreas de cerrado que ainda restam na nossa cidade. O projeto ganhou ainda mais visibilidade, uma vez que focos são muito comuns nessa época do ano, quando o clima é bastante seco.
Protótipo
Mas como monitorar incêndios de áreas tão densas? Com base em pesquisas em livros e internet, chegaram a um projeto parecido em Portugal. A sugestão dos jovens estudantes é a criação de torres de monitoramento onde profissionais equipados com computadores podem movimentar um pequeno robô preso a um cabo.
“Os profissionais ficarão nas torres com computadores e poderão ver em tempo real tudo o que está acontecendo, assim eles podem acionar rapidamente a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. O protótipo do robô custa apenas R$ 500,00. É feito de uma placa de arduíno, sensores de gás carbônico e de temperatura, e uma microcâmera. Ele manda os sinais para as torres através de um sistema de grandes redes”, explicou o professor.
O projeto já está disponível para a sociedade, basta que o município analise a sua viabilidade. “Escolhemos as torres porque um profissional consegue ter mais precisão com a proximidade. Pensamos nos AR drones (quadricóptero que tem câmeras acopladas), mas eles não suportam situações de vento. Por isso, optamos pelo protótipo que desliza por esse cabo”, salientou Paulo Roberto.
O grupo
Há cinco anos, o Sesi Bauru conta com um grupo de estudos na área de robótica com estudantes do 6º ao 9º ano. Para participar, é preciso ser mais do que um bom aluno. Tem que passar por prova de seleção.
Os contemplados com a vaga passam a fazer parte da Equipe Sesi Fênix Bauru, bem como os alunos Rafaela, Luiz Fernando, Islamayra, Biatriz, Ana Carolina, Renan, Matheus e Alexandra.
Quando completam 15 anos de idade, esses estudantes têm que ceder sua vaga para outro, quando acontece um novo processo de seleção.
Prêmio
Para chegar ao segundo lugar do prêmio Open European Champioship (OEC), na Espanha, com o tema Nature’s Fury (Fúrias da Natureza), as equipes foram desafiadas ainda em etapa nacional do Torneio de Robótica First Lego League, no início deste ano. Neste primeiro momento, eles tiveram que propor soluções inovadoras para ajudar a população a se preparar para desastres naturais. Os estudantes foram ainda avaliados em quatro requisitos: projeto de pesquisa, projeto do robô, trabalho em equipe e desempenho das missões na mesa. Na final no OEC, os jovens acabaram perdendo o primeiro lugar para estudantes da própria Espanha. “O importante de tudo isso é o estudante desenvolver o interesse pela tecnologia e pelos estudos”, finalizou o professor Paulo Roberto Fernandes.