08 de julho de 2026
Geral

Antibióticos podem criar superbactérias

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Elas são fortes. Muito mais resistentes que suas antecessoras. E, por isso, preocupam muito. Trata-se das superbactérias. O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, hospital da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e referência nacional em doenças infectocontagiosas, faz um alerta: a utilização equivocada de antibióticos (veja no quadro ao lado) é considerada uma das principais causas da onda de bactérias resistentes pelo mundo.

Segundo Rosana Richtmann, médica infectologista do instituto, apesar das restrições recentes, o uso indiscriminado de antibióticos tem trazido grande preocupação à comunidade médica. As superbactérias são versões mais poderosas de bactérias já conhecidas.

Isso porque sofreram mutações que as tornaram imunes a alguns antibióticos, que tiveram o uso banalizado ou foram utilizados frequentemente de forma equivocada.

“Um relatório da Organização Mundial de Saúde apontou que estamos vivendo a era pós-antibiótico, em que as pessoas estão morrendo de infecções simples, que eram tratáveis há décadas. Novas drogas têm sido desenvolvidas, mas elas não serão capazes de resolver o problema por si só”, diz a especialista.

Segundo Richtmann, a exigência da prescrição médica para a comercialização de antibióticos no Brasil foi um avanço, mas é preciso que haja uma mudança de mentalidade. Há três anos, o País tornou obrigatória a exigência da receita médica para a venda de antibiótico, e desde janeiro deste ano, as farmácias passaram a ser obrigadas a ter um banco de dados do paciente e da medicação vendida.

Solução?

“As pessoas acreditam, em muitos casos, que o antibiótico é a solução para tudo. Mas o antibiótico, na verdade, é uma medicação muito forte e que pode causar sérios danos à saúde, se não for usado de forma adequada”, alerta Rosana Richtmann.

De acordo com a médica, o uso errado do antibiótico fortalece as bactérias e torna muito mais complexo e demorado o seu controle. Além disso, a medicação, quando ministrada sem respeitar a prescrição, pode causar gastrite, danos ao fígado e aos rins, infecção sanguínea e reações alérgicas, dentre outros problemas.