08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sou bicho inventado...


| Tempo de leitura: 2 min

Caríssimos, é com muita honra e prazer que volto a escrever nesse espaço onde dei meus primeiros passos na escrita social. Foi aqui na "Tribuna do Leitor" onde rabisquei minhas primeiras linhas em um veículo de grande importância e alcance de milhares.

E, nesse último domingo, 13 anos (14/10/2001) depois do meu primeiro artigo, encontro com prazer o texto "Dê alimento aos bichos" do "meu" professor Rafael. Desculpe-me a informalidade em não citá-lo pelo nome completo, mas tenho esse homem em altíssima conta.

Explico-me melhor, mas antes quero jogar uma pedra pelo caminho, como em outrora me ensinou: "Não acumule as pedras, mas jogue-as ao encontro das ondas e apenas observe-as". Professor, você nem imagina o quanto isso foi e é significativo para mim. O bom ditado caipira diz: "Um pé na bunda é muito bão, porque memo bejano o chão, aind?sim vamo pra frente".

É inegável a força do estímulo. Lembro-me como se fosse hoje, estudante de filosofia, monitor do 1º Ciclo, aluno do Prof. Rafael. De repente, estava lá o meu texto no mural da universidade, para todos lerem. Confesso que senti na hora, depois claro, uma baita vergonha, mas continuava orgulhoso. Mas, uma dúvida, quem teria colocado o texto ali? Eu não fui, afinal, seria muita pretensão.

Alguém me disse: "Parabéns pelo texto, o professor Rafael me pediu que o colocasse no mural". (Fiquei ainda mais surpreso e feliz). Hoje sei o quanto aquilo me forjou naquilo que sou e vou sendo. Depois disso escrevi mais vários, publiquei em outros jornais, escrevi livros, escrevo blog, fiz outra faculdade, mestrado, passei em concurso para professor, virei coordenador pedagógico, ministrei aulas em faculdade, estou diretor municipal de Cultura, enfim, acreditei na sua crença.

Ainda que não seja o poeta que serei; ainda que não seja o escritor que insiste em escrever; ainda que não seja o educador que idealizo; ainda que seja o ministro da Cultura apenas para os amigos; ainda assim, o muito pouco de tudo que sou, tem você, meu caríssimo professor Rafael, um pedaço desse fragmento que insisto em continuar sendo. Muito obrigado.

Ricardo Guarnieri