10 de julho de 2026
Esportes

Futebol Amador: poeira no placar

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A   bola não perdoa maus tratos, assim como o tempo seco e a poeira deram o clima árido ao jogo ruim ontem, no zero a zero entre Estrela e Borborema, realizado no estádio Galvão de Moura, no Núcleo Gasparini. Com o resultado, quem comemorou foram os cerca de 20 torcedores do Nova Bauru, que, em função do empate, se classificou para as quartas de final da Copa Semel.

Sem os gols no placar, o Borborema ficou de fora. O Nova Bauru, antes, havia vencido o São Francisco por 2 a 0. O Estrela, que entrou em campo sem chances de classificação, jogou sério.

Porém, o duelo foi fraco tecnicamente. O gramado ralo e o tempo seco fizeram a bola pipocar, saltitar de lá para cá, sem brilho nas jogadas. Os lances de perigo de gol foram de lampejos individuais, poucos, mas não mérito de construção de jogadas.

O destaque da partida no distrital do Gasparini foi o árbitro Rogério Gustavo Garcia. Auxiliado por Walmir Adão e Antonio Carlos de Souza Júnior  ele conduziu o jogo com serenidade, não errou nos lances capitais e soube administrar os rompantes de “ignorância” quando um ou outro jovem atleta indicou estar perdendo a cabeça. Aplicou cartões amarelos como corretivo e teve, sempre, o controle do termômetro emocional da partida.

De tanto ser maltratada em campo, a bola chegou com perigo primeiro ao gol do Borborema, que precisava vencer, em um chute rasteiro de Nei. A bola caiu no pé do atacante após uma sequência de choques entre os jogadores no meio de campo.

O técnico do Borborema, Paulo Sérgio Mamgaba, reclamou durante boa parte do primeiro tempo que sue time avançasse a marcação para tentar, em uma roubada de bola, levar perigo ao Estrela. “Sai, sai, sai a defesa”, foi a frase mais repetida por Mamgaba na primeira etapa.

Se não deu com a bola no chão, o time de preto, branco e azul na camisa teve chance em cabeçada do zagueiro Nei em escanteio. A bola tinha o caminho do gol, mas desviou na zaga do Estrela. Na sequência, nada!

E foi o Estrela que perdeu de abrir o placar com Portela, na cara do gol, após boa bola alçada na área em cobrança de falta, da esquerda para o lado direito da área pequena do Borborema.

Em seguida, Rodrigo recebeu na frente do goleiro e, na área pequena, deu chance para o abafa. Era dar um toquinho na bola e o placar sairia do zero.

O técnico do Estrela, Mário Luiz Cláudio incentivava seus jogadores a não entregarem a partida. E o Estrela terminou a primeira etapa melhor, com mais vontade de fazer gol, a essência do futebol.

O intervalo deixou claro a diferença de panorama. “Nós é que precisamos ganhar e eles é que estão mostrando mais vontade. Vamos por correria nesse jogo se não dá com a bola no chão”, pediu Mamgaba a seus atletas. “Vamos fazer nosso papel, continuar jogando sério. O time está bem, vamos jogar”, insistiu Cláudio pelo Estrela.

A segunda etapa, entretanto, merece resumo: Baianinho, do Borborema, perdeu gol de cabeça na área pequena, empurrou para as redes uma sobra de bola em impedimento corretamente anotado pela arbitragem e foi substituído ao não conseguir concluir duas jogadas de bolas que sobraram pelo meio da defesa do Estrela.

O Estrela deu um tiro perigoso, de fora da área, com Ricardo, mas nada de espetacular. No jogo de muita poeira, gramado bastante ralo – sofrendo com a repetição de jogos e a conhecida, antiga, falta de irrigação no gramado – o placar se recusou a se movimentar, como em uma espécie de protesto pelo futebol ruim apresentado no jogo.

As bolas foram surradas pelos jogadores ontem e, depois de tantos pontapés que receberam, foram recebidas com alegria, de presente, por torcedores do Nova Bauru que estavam, teimosamente, na arquibancada. O Nova Bauru se junta a Parquinho, Ressaca, Redentor, Fluminense, Geisel, Desportiva Mary Dota e Oriente na próxima fase.