O governo da Ucrânia disse que vai capturar rapidamente mais territórios rebeldes depois de retomar a fortaleza separatista de Slaviansk, no que o presidente Petro Poroshenko chamou de momento decisivo na luta pelo controle do leste do país.
As tropas do governo expulsaram os rebeldes pró-Rússia da importante cidade no leste da Ucrânia no sábado e hastearam a bandeira azul e amarela novamente no que durante quatro meses foi um reduto separatista.
Ontem, as tropas ucranianas bombardearam partes de Luhansk, cidade controlada pelos rebeldes perto da fronteira com a Rússia, atingindo uma fábrica de baterias e outros edifícios, informou a agência de notícias russa Itar-Tass, citando rebeldes da cidade.
Segundo a agência, algumas pessoas estavam feridas, mas não houve mais informações sobre vítimas. “As pessoas estão fugindo para abrigos anti-bombas ou deixando a região”, informou a agência de notícias. “Minha ordem já está em vigor – apertem o cerco aos terroristas,” publicou Poroshenko em sua página no Twitter ontem.
Em nota, o ministro do interior de Poroshensko, Arsen Avakov disse: “Vamos seguir em frente todos os dias”. Não há informações sobre mortos ou feridos na ação, que aconteceu depois que Poroshenko se recusou a renovar um cessar-fogo unilateral e ordenou a retomada de uma ofensiva do governo.
As tropas ucranianas disseram que agora detêm o controle total de Slaviansk e de Kramatorsk. Muitos rebeldes parecem ter recuado para Donetsk, o principal centro industrial do leste, primeiro lugar que os separatistas declararam uma “república popular”
Rebeldes armados patrulhavam uma das principais ruas de Donetsk, ontem.
Separatistas
As milícias pró-russas da Ucrânia deixaram as últimas cidades na área de Slaviansk, rendida anteontem, durante a madrugada, e transferiram todas suas forças para a área de Donetsk, capital da região homônima, de onde querem atacar as forças ucranianas. O chefe das milícias de Slaviansk, Igor Strelkov, reconheceu que a defesa das cidades no entorno de Slaviansk “não faz sentido (...) porque acabaria em outro cerco”. Strelkov, identificado pelo governo de Kiev como o oficial russo Igor Guirkin, anunciou que seus homens se dispõem a preparar a “defesa ativa” de Donetsk, cidade com mais de 1 milhão de habitantes. A retirada dos separatistas rumo à capital foi confirmada pelo chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia, Valentin Nalivaichenko, que acusou os insurgentes de querer “provocar o caos a fim de destruir o Estado, semear o pânico e debilitar a Ucrânia”. Após a rendição de Slaviansk, grandes colunas de milicianos foram vistas nas cidades de Gorlovka e Yenakievo, vias de acesso à capital.