09 de julho de 2026
Esportes

Tá valendo! Quem falou que seria fácil?

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 2 min

Na escada imaginária descrita por Luiz Felipe Scolari, restam dois degraus até a glória. Hoje, contra a Alemanha, o técnico ensaiou apostar em um meio-campo mais fechado, já que não terá Neymar. Treinou com Fernandinho, Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar. Na frente, Fred e Hulk.

Até o último domingo, Willian corria como grande favorito a substituir o camisa 10. Seria uma troca simples – por mais complexa que seja, tamanha a diferença de quilate entre os dois.

Willian é o único dos 23 selecionados para esta Copa que nunca iniciou uma partida como titular da Amarelinha. A julgar pelo treino, não será dessa vez.

Até hoje na história da Seleção, apenas dois jogadores estrearam como titulares no meio de uma Copa. Em 1986, o lateral Josimar Higino, que teve passagem meteórica no ano passado como gerente de futebol do Noroeste na gestão da FL Work And Sport, fez sua estreia com gol e atuação brilhante. Já o também lateral Zé Carlos, debutou como titular na semifinal da Copa de 1998, contra a Holanda. Passamos, mas sua atuação foi desastrosa.

Em nenhuma das ocasiões os laterais entraram para substituir o craque da vez. Agora, perdemos nosso pianista e vamos ter que subir a tal escadaria de Felipão apenas com os carregadores do piano – que ficou ainda mais pesado sem Neymar.

É óbvio que ficou difícil fazer um concerto. Contra a Alemanha, nada de muito belo. Nada padrão Neymar. Sem solos, vamos jogar no conjunto. Quanto melhor afinação, menos erros e mais confiança. Padrão Alemanha.

Já falei aqui das frases que Felipão gosta de espalhar pelos corredores do vestiário, rascunhadas em pedaços de papel e coladas onde todos possam ver. Hoje não deve ser diferente. O ritual deve ser mantido.

Mas em um jogo onde a Alemanha é favorita e o Brasil não passa de um azarão, mesmo que não a rabisque na folha, Scolari vai apostar todas as fichas na frase atribuída ao poeta francês Jean Cocteau para acreditar que pode alcançar o sétimo e último degrau de sua escada imaginária, até a final da Copa, apenas com os carregadores do piano: “Ele não sabia que era impossível. Foi lá e fez”.