Um casal foi encontrado morto no interior do baú de um caminhão, que pegou fogo na madrugada de ontem, em Bauru. O contêiner permanecia na quadra 10 da rua Antônio Gobete, Vila Engler, região do Jardim Contorno, às margens da rodovia Marechal Rondon (SP-300), e servia de moradia a Célio Aparecido Lopes, 43 anos, e Nilza Alves da Silva Marciano, 47 anos. A Polícia Científica esteve no local e irá investigar as causas do incêndio.
O incidente ocorreu por volta da 0h15. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter o incêndio. Ao abrir o baú, em meio aos destroços, foram encontrados os corpos carbonizados. O casal vivia junto há 12 anos e sobrevivia com auxílio da comunidade, além de trabalho com capinação. Já o baú foi doado por uma família da região.
Um pequeno botijão, normalmente utilizado em campismo, foi encontrado aceso no interior do contêiner. Há a possibilidade de o casal ter utilizado o produto para se proteger do frio.
Segundo a Polícia Militar (PM), Célio, que tinha várias tatuagens pelo corpo - inclusive iniciais sua e de ex-companheira -, já teria cumprido pena por homicídio. Existia um histórico de agressão entre o casal e passagens por posse de arma branca.
Nilza havia se afastado da família para viver nas ruas com o atual companheiro. A filha da mulher, Marylin Alves Marciano, 28 anos, esteve no local para reconhecer o corpo. Segundo ela, a mãe e o companheiro sofriam com o alcoolismo. “Internamos ela uma vez em Marília para tratamento, mas não adiantou”, contou Marylin.
Segundo a Polícia Civil, será instaurado inquérito para apurar a causa das mortes. O resultado do laudo da perícia técnica deve sair em 30 dias. O corpo de Nilza será velado e sepultado em Júlio Mesquita, onde mora a mãe dela. “Minha avó está muito abalada. Ninguém esperava por isso”, ressalta Marylin.
Mais incêndios
No último sábado (4), segundo a reportagem apurou com PM, houve um incêndio de pequenas proporções no mesmo terreno onde o contêiner de Célio e Nilza permanecia estacionado. As chamas atingiram uma carreta, mas não houve feridos. Outros incêndios atingiram a área recentemente e árvores foram queimadas.
‘Ela tinha uma vida conturbada’, diz filha
A filha de Nilza, Marylin Marciano, moradora do bairro Santa Edwiges, contou que a mãe bebia frequentemente e a situação já havia se tornado insustentável.
“Ela tinha uma vida conturbada. Passava 10 dias em casa, mas logo voltava para o contêiner. Nem o tratamento que tentamos bancar a ela teve resultado”, disse a filha, ainda abalada.
Segundo Marylin, morar no baú de um caminhão era opção de vida da mãe. “Ela preferiu viver com ele (Célio), mesmo sendo agredida, às vezes. Tentamos tirá-la dessa situação, mas não teve jeito”, lamenta.
Além de Marylin, Nilza deixa mais dois filhos, de 19 e 22 anos, e dois netos, com 10 anos e um ano e meio. “Quero lembrar dos momentos bons antes dessa tragédia. Ela era uma pessoa amorosa e de bem com a vida”.
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Fotos/Thiago Vendrami |
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Baú onde foram encontrados os corpos |
Pequeno botijão de gás que estava no interior do baú |