09 de julho de 2026
Esportes

Voo a Vela: bem no alto

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Divulgação

Henrique Navarro (no detalhe) representou o País e por pouco não ficou entre os 10 melhores do mundo

O piloto Henrique Navarro terminou o Mundial de Voo a Vela na 15ª colocação da Classe Club, entre mais de 40 pilotos que iniciaram a disputa na Finlândia. A competição começou em junho e foi encerrado no último final de semana, sendo que o Brasil ficou com a oitava posição geral entre 21 nações que estavam representadas – mais dois brasileiros foram ao Mundial, ambos na Classe Standard.

Henrique Navarro é paulistano, mas há muitos anos treina e compete pelo Aeroclube de Bauru, considerado referência nacional para a prática do volovelismo. “Bauru é um grande polo do voo a vela, e o que acaba pesando para a gente fora do País é que cidades como Bauru são exceção. Se tivesse mais ‘dez Baurus’ pelo Brasil com certeza seria mais fácil formar uma equipe forte para os Mundiais”, destaca Navarro, que comemora a oitava posição do Brasil frente a diversas potências da Europa. “Países como Alemanha, Inglaterra e França vão como muita estrutura, e as federações ou o governo pagam tudo. Eles levam até meteorologistas para o Mundial, e isso ajuda a chegar a um bom resultado final”, destaca. “Os brasileiros pagam do próprio bolso ou com a ajuda de algum apoio que conseguem, a diferença é grande”, reitera.

Sobre a sua participação, Navarro menciona que poderia ter ido ‘um pouco melhor’ na Finlândia. “Fui o 11º colocado no último Mundial, na Argentina, em 2012. Agora eu esperava entrar no Top 10, até o ranking do último dia eu cheguei a estar em 11º, mas acabei tendo um resultado ruim e terminei em 15º. Mas não foi um mau resultado”, acrescenta.

Planador e mosquitos

Outro ponto que teve de ser contornado pelo piloto do Aeroclube de Bauru foi a questão da própria aeronave. “Por ser mais próximo, os europeus conseguem rebocar os planadores que estão acostumados a treinar. A gente poderia levar do Brasil para a Finlândia de contêiner, mas custaria mais de 10 mil dólares, completamente inviável, então alugamos um planador lá. Tivemos cinco dias para treinar, três foram livres e dois com tempo, que apesar de não contarem para a pontuação, ajudam a dar um parâmetro. Fiquei em primeiro em um deles e em nono em outro, então consegui me adaptar rápido ao planador de lá”, comenta.

Uma curiosidade é que um equipamento extra precisou ser acoplado ao planador: um ‘limpador de insetos’, dispositivo que é comum na Europa, mas pouco frequente no Brasil. “Aqui não temos muito problemas como mosquitos durante o voo. Lá o clima estava bem úmido, então colocamos esse limpador na asa do planador. Os mosquitos vão pousando nas asas do avião durante o voo, a asa, chega a ficar preta de tanto inseto, aí o limpador passa e retira”, conta Henrique Navarro, que fez sua melhor prova na Finlândia na última quinta-feira, penúltimo dia de competições, alcançando o segundo lugar da etapa. Várias etapas foram suspensas devido ao mau tempo, e em alguns dias, os pilotos competiram mesmo com chuva e em uma etapa até com neve.


Novo Mundial será em 2016; agora, piloto disputa Nacional

O próximo Mundial de Voo a Vela será na Lituânia, em 2016. A competição é disputada a cada dois anos, e quase sempre acontece na Europa. “A edição de 2012 foi uma exceção, porque ocorreu na América do Sul (Argentina). Geralmente o Mundial é na Europa, que tem uma tradição da modalidade. Isso é bom para quem é de lá, que pode pegar um fim de semana e ir treinar na região onde as provas serão disputadas, por exemplo, algo inviável para os sul-americanos”, finaliza.

Nacional

Depois do Mundial, Henrique Navarro participará do Campeonato Nacional, onde é o atual campeão da Classe Club. Ele defenderá o título entre 6 e 20 de setembro, na cidade de Formosa (Goiás), a menos de 100 km da capital do País, Brasília. Tanto o Nacional deste ano como o de 2015 valem vaga para o Mundial da Lituânia-2016.


Brasil no Top 10

Os 21 países participantes do Mundial tiveram a pontuação de seus pilotos computadas em uma média geral, que culminaram com a vitória da Grã Bretanha, e o Brasil na oitava posição – o melhor resultado entre os não-europeus. O 15º lugar do bauruense Henrique Navarro na Classe Club, entre mais de 40 competidores, ajudou o País a ficar entre os 10 melhores, à frente inclusive da Alemanha, de onde surgiu a modalidade e também de onde veio o precursor do volovelismo na Cidade Sem Limites, Kurt Heindrich, que implantou a prática no Aeroclube de Bauru em 1942.