Não tem como fugir a realidade: o mercado observa a queda no nível de atividade econômica. Não entendam esta constatação como visão pessimista: é a realidade. O setor industrial sente primeiramente o impacto na queda das vendas. Como o comércio adquire produtos com antecedência, ao constatar a falta de apetite dos consumidores e ainda os estoques elevados de produtos, os pedidos de compras são reduzidos, dando início ao ciclo de desaceleração.
Para ilustrar este ciclo, o setor automotivo verificou queda na produção acima de 16% no primeiro semestre e refaz seus cálculos para o segundo semestre. No geral, o setor industrial calculou retração de 1,6% em suas atividades em relação ao mesmo período do ano passado. Os motivos são os velhos conhecidos: juros em alta e um consumidor com alguns sintomas indesejados: com baixa confiança na economia, cauteloso, retraído, com receio de perder o emprego, com medo de contrair dívidas em longo prazo, entre outros.
Neste ambiente é preciso ser estrategista. Na vida familiar, rever o comportamento de consumo. Reúna a família, elenque o que é prioritário e o que é adiável. Compartilhe a decisão em segurar os gastos com todos os membros da família. Seja rigoroso com a gestão das finanças do lar. No ambiente de trabalho, seja proativo. Se for funcionário, ajude a fazer mais com menos. Esteja aberto aos novos desafios em buscar alternativas para ganhos em produtividade.
Ainda no ambiente de trabalho, se for dirigente da empresa reveja os orçamentos. Reúna a equipe de trace metas desafiadoras, mas assuma o controle das ações. Considere operar no nível do ponto de equilíbrio, adiando os lucros, mas mantendo a equipe motivada. Analise todos os centros de custos. Observe se não há gastos adiáveis. Canalize esforços nas vendas. Solicite a área de suprimentos que estabeleça alianças com os fornecedores, buscando, no ganha/ganha, fôlego para contornar esta fase ruim do nível da atividade da empresa, enfim harmonize todas as áreas da empresa e foque nos resultados, mesmo que menores do que o desejado.
Como colocado, não é momento de pessimismo, mas também não é momento de se manter na zona de conforto. Quando o mercado dá sinais, e estes não são os melhores, é o momento de fazer a diferença. Lembre-se que quem não sabe para onde vai, qualquer lugar é bom. O segundo semestre será desafiador e por isso ajustes são necessários.
O autor é economista e articulista do JC