09 de julho de 2026
Cultura

Geometria orgânica

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis

Gifalli expõe trabalhos em acrílico sobre tela, acrílico sobre impressão digital e xilogravuras em papel

As 16 obras da mostra Pigmental, do artista plástico Ronaldo Gifalli, buscam o “geométrico orgânico”. Esta é definição mais próxima do trabalho abstrato que toca tanto o formal quanto o espontâneo, de acordo com o próprio artista. O público bauruense poderá conferir de perto e interagir com as telas e gravuras que compõem a exposição de 5 a 22 de agosto, na Casa Ponce Paz, período em que Pigmental estará aberta à visitação. No momento, o trabalho de Gifalli está exposto na reitoria da Universidade Estadual, em São Paulo, onde permanece até o dia 21 deste mês.

Gifalli expõe trabalhos em acrílico sobre tela, acrílico sobre impressão digital e xilogravuras em papel. A mostra reúne obras de duas fases do artista. “Uma, que é pigmental, é mais focada na cor. É uma brincadeira com o nome. De pigmento, que é substantivo, fiz um adjetivo para determinar a obra, dar uma qualidade a partir da cor. A outra, a série de gravuras, vem de uma fase que eu fazia uma troca de palavras, que é noite e dia. Eu troco o ‘n’ pelo ‘d’. Eu queria um nome que fosse uma fusão de noite e dia, das 24 horas, e ficou DoiteNias”, explica.

Ambas as fases são abstratas e trazem formas geométricas, mas com uma concepção não rígida. “São abstratos geométricos, uma construção geométrica. A série de gravuras vem antes e, partir das gravuras é que fui experimentando na pintura estas mesmas estruturas geométricas. Só que o geométrico é também um pouco orgânico, uma mistura”, define Gifalli. “Eu trabalho com as duas situações, a arquitetura, uma parte mais formal de geometria, e a parte mais orgânica da natureza, que é mais espontânea”, acrescenta.

A interação com público é fundamental para a própria definição da obra e, de maneira intencional, o artista busca despertar sugestões e deixa ambiguidades. “Enquanto trabalho, vou cobrindo partes e muitas delas vão desaparecendo com o tempo. Então, é como se aquilo tivesse uma memória e pelas transparências dá para perceber que existe alguma coisa lá atrás, que foi encoberta. Esta participação das pessoas é que eu acho interessante”, pontua Gifalli.

A técnica de Giffali permite, de acordo como artista, transformações ilimitadas e novas composições inesgotáveis. “Isso é infinito. Se eu quiser ir cobrindo, cobrindo... É como a natureza, por isso que falo que é arquitetura com mistura da própria natureza”, conclui.

A exposição Pigmental, de Ronaldo Gifalli, será atração na Casa Ponce Paz (Rua Antônio Alves, 9-10, Centro), de 5 a 22 de agosto. Entrada gratuita.