08 de julho de 2026
Polícia

Lobotomia: "cabeça" é preso

Marcele Tonelli e Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil de Bauru, por meio da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) e setor de inteligência da Central de Polícia Judiciária (CPJ) prendeu, na manhã de ontem, mais um suspeito de integrar a chamada “cooperativa” do tráfico, uma organização ligada ao narcotráfico que abastecia biqueiras pela cidade.

Danilo Eduardo Kenes, de 28 anos, foi identificado pelas investigações – que tiveram início há cerca de um ano (leia mais ao lado) - como um dos principais integrantes do grupo, que agia organizando e distribuindo as drogas que vinham de fora do País para pontos de tráfico nos bairros Nova Esperança e Parque Real.

Danilo já estava com dois mandados de prisão preventiva expedidos contra ele – pelas polícias Civil e Federal - e foi preso, por volta das 7h, em uma chácara, localizada na zona rural de Piratininga (13 quilômetros de Bauru).

“Com ele, apreendemos três porções de maconha, três pedras de crack e celulares”, informou o delegado que comandou a operação, Luiz Augusto Puccinelli.

Danilo, no entanto, era morador da Vila Falcão e sua esposa, Talita Andressa Navarro de Souza, de 27 anos, já cumpria prisão desde maio. “Ela foi detida em flagrante em posse de maconha e de R$ 11 mil em dinheiro”, comenta Puccinelli.

Encaminhado para a CPJ, ele teria negado as acusações em seu depoimento. A prisão, porém, foi ratificada pelo delegado. “Como também há um inquérito contra ele feito por parte da PF, iremos informar os federais sobre a prisão e o acusado deve ser ouvido por eles também”, detalha Puccinelli. Danilo deve ficar preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

‘Cabeça’

A Polícia Civil reúne, agora, informações na busca por Caio Bernasconi Braga, de 19 anos, apontado como sócio do casal Danilo e Talita no esquema.

“O Danilo era o cabeça do negócio, era quem adquiria a droga, que vinha de fora, em Dourados. Seu sócio, Caio, ajudava na distribuição em Bauru. Ele também está com os mandados de prisão expedidos”, afirma Puccinelli.


Operação

No início de junho, uma operação em conjunto das polícias Federal (PF) e Civil de Bauru, denominada “Lobotomia”, prendeu dez pessoas ligadas ao esquema do narcotráfico na cidade e na região. Na ocasião, foram presos, em Bauru, o proprietário de uma revenda de automóveis, um casal proprietário de uma loja de bolsas e uma professora de academia de ginástica. A maioria residente em casas e condomínios de luxo na zona sul de Bauru, conforme o JC noticiou.

Internacional

Outras duas pessoas também acabaram presas em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Elas atuariam como fornecedores da droga, oriunda de países como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela.

Desde que o trabalho policial teve início, há um ano, foram feitas 14 prisões em flagrante.

Os nomes de todos esses presos, no entanto, não foram informados pela Polícia Federal, que comandava as operações, sob alegação de que uma normativa interna da corporação não admitiria a divulgação da identificação dos suspeitos investigados.

“Cérebro” do narcotráfico local, o grupo é acusado de se associar como cooperativa para viabilizar a compra e distribuição de maconha e cocaína para biqueiras.

No total, 50,5 quilos de cocaína e 1.302 quilos de maconha teriam sido apreendidos entre as investigações.