08 de julho de 2026
Geral

Três UPAs suspendem atendimentos em Bauru neste final de semana

Ana Borges com Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

O desinteresse dos médicos em assumir plantões levou a Secretaria Municipal de Saúde a adotar “rodízio” nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) neste final de semana. Neste sábado (12), durante todo o dia, o serviço de emergência ficou suspenso nas UPAs do Mary Dota, Geisel/Redentor e Ipiranga, situação que será mantida no domingo (13). Para tentar reverter esse quadro, que já se tornou corriqueiro, uma reunião de emergência foi marcada para esta segunda-feira (14). Em nome da qualidade no atendimento de urgência, o secretário de Saúde chegou a colocar seu cargo à disposição (leia mais abaixo).

O governo atribui o “boicote” aos plantões nos finais de semana a um grupo de médicos que, há cerca de 60 dias, tenta pressionar a prefeitura a aumentar os salários da categoria. “Eu não posso concordar com uma ação desse tipo, uma ação orquestrada de simplesmente boicotar plantões enquanto não tiver o reajuste salarial até porque nós estamos em uma fase que não é a fase de dissídio”, declara o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

Ele conta que, na semana passada, o secretário de Saúde, Fernando Monti, conversou com profissionais do serviço de urgência e emergência. “O secretário de Saúde se reuniu com eles e eles decidiram, neste final de semana, não trabalhar nas Unidades de Pronto Atendimento”, revela. “Os médicos que não aderiram a essa ação deles foram direcionados ao Pronto-Socorro Central (PSC) para que a unidade pudesse funcionar normalmente”.

Essa manobra da administração garantiu escala completa de médicos no PS e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas desfalcou três das quatro UPAs no período diurno. No sábado, o atendimento médico de urgência ficou suspenso até as 19h nas unidades do Mary Dota, Geisel/Redentor e Ipiranga. Apenas a UPA Bela Vista funcionou normalmente. À noite, o atendimento foi mantido nas UPAs do Geisel/Redentor e Ipiranga.

Neste domingo (13), até as 19h, segundo a pasta da Saúde, a situação deverá ser a mesma, com atendimento de urgência e emergência apenas nas UPAs do Bela Vista, PSC e Samu. “A gente não esperava que eles (alguns médicos) agissem dessa forma até porque tem vida em risco e aumentamos a rede de urgência e emergência justamente para facilitar a vida das pessoas”, desabafou o chefe do Executivo.

“Estamos discutindo uma proposta, junto com o setor de Finanças da prefeitura, para poder mandar para a Câmara talvez ainda na próxima semana e ver se a gente consegue acalmar essa situação e colocar médicos nas UPAs nos finais de semana”. De acordo com Rodrigo, a prefeitura também avalia a possibilidade de punir médicos que descumprem a escala assumida e faltam aos plantões.

Situação recorrente

No domingo passado, conforme divulgado pelo JC, falta de médicos para preenchimento completo das escalas de plantão fez com que as UPAs do Mary Dota, Ipiranga e do Bela Vista interrompessem o atendimento médico de urgência. A única unidade que permaneceu em funcionamento, com dois médicos plantonistas, foi a do Geisel/Redentor.

Nos últimos três meses, a ausência de profissionais interessados em cumprir plantões extras nos finais de semana já havia resultado no “fechamento” das UPAs do Ipiranga e Mary Dota.


Cargo à disposição

O secretário de Saúde, Fernando Monti, declarou ontem que coloca o cargo à disposição se a medida resultar na melhoria do serviço de urgência e emergência. “Quero dar qualquer contribuição possível para que isso seja solucionado, inclusive se a medida for a mudança de secretário”, diz. “Se ele (prefeito) entender conveniente que haja mudanças nesse momento, (o cargo) está absolutamente à disposição. Eu vou continuar junto com ele, apoiando e defendendo”.

Na opinião dele, a situação se agravou neste final de semana. “Nós percebemos que os profissionais, de maneira coletiva, não pegaram os plantões extras, não quiseram assumir esses plantões”, diz. “Eu acho inadmissível o que está acontecendo porque nós fizemos as UPAs para elas funcionarem com regularidade”.

Entre as alternativas que Monti propõe, estão o aumento do salário base dos médicos ou do valor do plantão extra de 12 horas, que hoje é de R$ 1.450,00 e a criação da carreira de médico socorrista.

Ele também defende contratação de profissionais “de fora” para cumprir plantões por meio de uma fundação e a redução da jornada básica de trabalho dos médicos de 20 para 15 horas.

O secretário criticou ainda a demora na apreciação de projeto de lei enviado por ele à Câmara que permite que médicos remunerados por outras esferas de governo, colocados à disposição da prefeitura, prestem serviços ao município. “Vai acrescer a possibilidade de cinco médicos a mais no quadro. Parece pouco, mas numa situação como a que a gente está vivendo, toda medida positiva é importante, vai somando”, pontua.