Desde que caras como Bill Haley e Chuck Berry deram seus primeiros acordes, tirando das cordas uma mistura de blues, country e rhythm and blues, mas que não era nenhum desses gêneros e algo novo e praticamente irresistível na sua sonoridade simples e contagiante, ou vozes como a de Jackie Brenston e Elvis Presley soltaram a voz em cima deste novo som, o mundo nunca mais foi o mesmo.
Nascia o rock, um “ser” que cresceu constituído de órgãos e membros, alguns mais calmos, outros mais furiosos, alguns mais sofisticados e outros mais básicos. Campo de experimentações, movimentos e contramovimentos, bandeiras políticas e sociais, o rock foi o grito transgressor da juventude nas décadas que se seguiram ao seu surgimento, quando jovens perceberam que um riff de guitarra poderia era uma arma poderosa e que letras poderiam desafiar o “status quo” e redefinir padrões sociais e culturais.
Hoje, o “idoso” rock mostra fileiras cerradas e um exército de “rebeldes” veteranos e jovens. Basta ir ao show de uma banda clássica para ver, lado a lado, o mesmo brilho no olhar de roqueiros da velha guarda, com seus cabelos grisalhos, e dos calouros que ainda estão descobrindo aquele som. Uma prova que o poder e magia do rock nunca morre. Afinal, como diz o clichê, isso é apenas rock and roll, mas eu gosto. O rock tem hoje celebrado seu dia mundial e o JC ouviu roqueiros de Bauru para elegerem os três melhores discos de rock de todos os tempos. Você concorda com eles?
Manu Saggioro, vocalista da Inlakesh
Para a cantora e guitarrista Manu Saggioro, o pódio do rock and roll fica com Cheap Thrills (1968), de Janis Joplin, Led Zeppelin IV, do Led Zeppelin, e Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets (1972), dos Mutantes. “Eu fico em dúvida se são os melhores discos destes artistas, mas como foram os que mais escutei fica difícil falar de outro. Tem aquela coisa que conecta com o coração. Acabei criando um carinho com os álbuns”, justifica Saggioro. A escolha, assim, é pautada pela identificação e história pessoal. “Escutei mais Janis Joplin do que qualquer outra coisa no mundo. O Led Zeppelin IV furou, tive que comprar dois”, diverte-se. “Já Mutantes tem uma influência muito forte para mim. O Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets foi o último disco da banda com a formação clássica (Rita Lee nos vocais e teclados, Arnaldo Baptista nos teclados e vocais, Sérgio Dias nas guitarras, vocais e cítara, Liminha no baixo e vocal de apoio e Dinho Leme na bateria)”, conclui.
Walter Claro, guitarrista da Madra e Awaska
Back in Black, do AC/DC, Led Zeppelin IV (1971), do Led Zeppelin, e Creatures of the Night (1982), do Kiss, são os eleitos de Walter Claro. As escolhas são pautadas em relevância histórica e em uma relação de afetividade com um álbum importante na vida do guitarrista. “O Creatures of the Night é porque é um disco que me marcou muito. É um disco bom, com sonoridade muito característica da época. E me dá aquela sensação de voltar no tempo”, explica Claro. “Os outros dois são marcos na história do rock. São discos que também venero”, elogia.
Alan Breslau, vocalista da Cavalo Morto
Breslau crava os álbuns The Dark Side of The Moon (1973), do Pink Floyd, Who’s Next (1971), do The Who, e Master of Reality (1971), do Black Sabbath, como os tops da história do rock. Breslau não ranqueia os seus discos preferidos, é um triplo empate em primeiro lugar. “É uma lista sem ordem, é indiferente. A minha escolha é pelo papel destes discos na história da música e pela minha história, minha vida também. Poderia fazer uma lista com 30, estes são três deles”, comenta.
Euler Silva, baterista da Acústicos & Calibrados
“O Back in Black (1980), do AC/DC é o maior. Na sequência, o Black Sabbath (1970), o primeiro do Black Sabbath, e o Nervermind (1991), do Nirvana”, considera. O baterista justifica suas escolhas. “Todos estes discos mudaram contextos. No Back in Black, o AC/DC passou por baque muito grande com a morte do vocalista (Bon Scott, que foi substituído por Brian Johnson) e lançou este disco pouco tempo depois. É o disco de rock mais vendido de todos os tempos (51 milhões de cópias). É um disco de superação. O Black Sabbath é o pai do som pesado. Já o Nevermind mostra que música é mais do que técnica. O Nirvana mostrou o que era identidade, quebrando padrões, em uma reinvenção do punk”, aponta Silva.
David Calleja, vocalista da The Licks
O vocalista da banda tributo do Rolling Stones elenca como melhores discos de rock de todos os tempos o Abbey Road (1969), dos Beatles, The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd, e o Led Zeppelin III (1970), do Led Zeppelin. “Acho que The Dark Side of The Moon é o primeiro, o meu preferido”, avalia. “São discos que, se eu não tivesse escutado, talvez não fosse músico e não curtisse rock. São bem clássicos e uma base para todas as outras bandas. Poderia citar outras coisas, mas acho que não teria tanta relevância histórica”, observa.
O disco do vizinho
O “top 3” do baixista André Turco (foto ao lado) tem Black Sabbath Vol. 4 (1972), do Black Sabbath, Powerslave (1984), do Iron Maiden, e Krig-há Bandolo (1973), de Raul Seixas. Turco tem uma história curiosa e engraçada sobre o disco escolhido do Black Sabbath. “Eu tinha um vizinho que gostava de black music. E, por um acaso, comprou o Black Sabbath Vol. 4 achando que era um disco de black music porque tinha o nome black”, lembra. O resultado foi que ao colocar o bolachão na vitrola, o vizinho do músico se deparou com o som pesado da banda inglesa e o voz estridente do “Príncipe das Trevas” nos vocais. O engano do vizinho foi a felicidade de Turco. “Isso caiu na minha mão ainda garoto”, festeja. “O Powerslave é indiscutível. O Krig-há Bandolo escolho pelas letras, que é quando o Raul despirocou de vez. Não é nem pela sonoridade, mas pela atitude do disco”, acrescenta Turco.