07 de julho de 2026
Bairros

Comércio tradicional sobrevive

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

No fio do bigode e na anotação da caderneta. As antigas e famosas contas do mês ainda podem ser vistas nos pequenos comércios dos bairros de Bauru. E no Jardim Bela Vista isso não é diferente, segundo mostram os próprios comerciantes.

Giancarlo Zuim é dono de um dos mais antigos açougues da cidade. Localizado no cruzamento das ruas Padre Anchieta e Bela Vista, o estabelecimento existe no Jardim Bela Vista há, no mínimo, cinco décadas. Com Zuim já são 28 anos.

“O segredo é sempre investir e caprichar na qualidade dos produtos oferecidos. Mas o diferencial mesmo está no atendimento. Sei o nome de todos os clientes, por exemplo, e ainda mantemos a boa e velha caderneta. Muitos compram e pagam por mês, como antigamente. E, de fregueses, tornaram-se nossos amigos”, salienta o comerciante. 

O açougue de Zuim é um dos exemplos de comércio que atraem moradores de outras localidades de Bauru e, segundo o comerciante, até mesmo de cidades vizinhas. “Eu moro no Higienópolis e sempre compro carnes aqui. Além da qualidade dos produtos, há a relação de amizade”, comenta o comerciante e cliente Messias Santana. 


Negócio familiar

Há 27 anos o comerciante José Luiz Garcia toca o minimercado da família, localizado na quadra 9 da rua Bela Vista. Lá, a vizinhança encontra de tudo um pouco, como ele gosta de dizer.

“Sobrevivemos vendendo o que falta em casa, entende? Os moradores fazem a compra do mês em um mercado grande e eu forneço aqueles itens que vão acabando com o decorrer dos dias. E vende de arroz a doces, produtos de limpeza... Tudo o que o cliente imaginar”, garante.

Também é na relação de amizade com os vizinhos que o comerciante diz estar o segredo para o minimercado de alguns metros quadrados não se abalar com a forte concorrência dos grandes estabelecimentos. “É quase uma relação de parentesco. O chiclete que eu vendia para os pais, hoje vendo para os filhos. Conheço meus fregueses pelos nomes, muitos compram e pagam por mês, marcam na caderneta”.

E por falar em relação de parentesco, Kellen Garcia é filha de José Luiz, e tem exatamente a mesma idade que o estabelecimento da família. “Hoje eu ajudo meu pai. Na verdade, todos os funcionários são da família. Eu cresci aqui dentro, dormia sobre os sacos de arroz”, sorri ao dizer.

Vizinhos

No minimercado, o bate-papo com os vizinhos entra pela porta do estabelecimento. E José Luiz faz questão de deixar um banco reservado para os amigos se sentarem e prosearem. “Isso acontece principalmente com os mais velhos. Eles se sentam e ficam conversando com a gente. Quando um deles falece, é como se fosse alguém da família”, narra.