08 de julho de 2026
Geral

Interação é palavra chave do usuário

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

O hábito de postar dados vira mania de postar emoções e a mania de postar fotos vira perda de noção sobre o que é íntimo e o que é socializado na rede. Estas são as principais impressões retiradas de depoimentos dos próprios usuários da Facebook.

Durante uma semana, a reportagem provocou, positivamente, o debate ou depoimentos sobre a forma de utilização do Facebook. A palavra chave entre a maioria dos usuários foi interação. Mas, para especialistas com trabalhos localizados na rede mundial de computadores, a plataforma digital exercer fascínio. Para alguns, o Facebook pode gerar até dependência. 

A avaliação mais repetida entre os estudos localizados na própria rede é que a ferramenta não é um simples meio de comunicação. O Facebook transmite ao indivíduo uma sensação de segurança e livre comportamento do senso comum. Por esta razão, comenta o especialista em meios digitais, José Antonio Milagre, “automaticamente a plataforma passa uma ideia de segurança e de liberdade de expressão, gerando no indivíduo uma sensação de identificação pessoal”.

Na própria rede, psicólogos com páginas pessoais mencionam que a ferramenta age pela por sugestionar, aguça o impulso de comunicação automático, imediato e provoca uma espécie de contágio pela comunicação. “É como se as pessoas achassem que estão em sua sala, em sua casa, mas estão abertas ao mundo pela ferramenta”, pontua a psicóloga Flávia Trindade, por exemplo.

Nas menções  mais aprofundadas, os autores lembram que o Facebok acaba expressando outras questões, como a criação de perfis que não estão necessariamente baseados no seu “eu”, mas na idealização pessoal. De outro lado, reforça o professor de comunicação Reginal Tech: “as pessoas precisam amadurecer o uso da ferramenta e parar de gerar informação falsa. Esse comportamento é o que mais prejudica a credibilidade individual do que se lê no Facebook”.


Para que e por que você usa a plataforma digital?

A reportagem colheu depoimentos objetivos e manifestações em debate digital provocado através da própria página do Facebook. Em cinco dias de observação, foram colhidos 132 depoimentos. Acompanhe, a seguir, as observações dos próprios internautas: Para que e por que você utiliza o Facebook?

Douglas Cirilo diz que usa para o que os amigos estão fazendo e para dizer a eles o que está fazendo. “Acho que isso nos mantém em contato mesmo sem falar diretamente com eles. Gosto também de ler notícias, já que curto as páginas que tenho interesse e assim recebo as matérias de vários veículos em um único local. Compartilho as matérias e artigos. Quem sabe alguns amigos se interessam por ler”.

Wel Bittencourt também tem a ferramenta uma forma de interação, de se comunicar com amigos, familiares. “Mas também utilizo para divulgação dos meus projetos e para monitorar o índice de visibilidade do mesmo e, ainda, para monitorar temas do meu interesse”.

O empresário Ramiro Ferreira Jr. se atualiza sobre o que acontece com os amigos pelo Facebook. “Também uso para agendar atividades de trabalho e lazer, curtir, publicar, compartilhar e comentar o que há de interessante nas redes sociais”.

O jovem Alex França acha que a ferramenta é para socialização. “Utilizo como forma de socialização, informação, exposição e até mesmo como um instrumento de trabalho. Faço interatividade com os amigos do esporte, da música, da igreja, enfim, utilizo de várias formas”.

A advogada Cristina Sant’ Anna define entretenimento e comunicação como pontos centrais na ferramenta. “Utilizo essa forma de comunicação mediante mensagens instantâneas, acho eficaz. Bater papo, compartilhar, ver fotos de amigos, ler e escrever comentários são agradáveis, assim como acompanhar as atividades dos amigos e fazer novos contatos é muito rico”. 

Mas ela ainda tem o dispositivo como ferramenta de trabalho. “Gosto de participar de grupos fechados onde discutimos política, dentre outros assuntos e também discuto e compartilho informações sobre o mundo jurídico, minha profissão”.

A professora Glória Silva sintetiza: “Utilizo para estudar, comunicar com amigos e parentes que moram longe”. Maia Somel: “Para marcar compromissos, divulgar coisas como cultura, educação, tendências”.

Elaine Argenta revela que o Facebook lhe proporcionou se comunicar virtualmente com um amigo que não via há 35 anos.

A assessora Sílvia Azambuja prefere o Facebook para contato com “amigos, familiares, mas de uma maneira bem leve. “Procuro compartilhar momentos felizes e muita, muita foto”. Ela também encontrou, pela plataforma, amigos do período em que morou em Brasília há 35 anos.

O assessor parlamentar Daniel Rufino tem na ferramenta um modo de interação, “onde podemos nos comunicar e se expressar com pessoas de todas as localidades e segmentos, nos proporcionando relacionamentos profissionais e publicitários, bem como de amizades”.

O músico Marco Zambon define o Facebook como o “tablóide multiassunto que se usa desde a amizade aos reencontros e para discussões como política”.

O visualista e cabeleireiro Tony Gandra tem na plataforma uma oportunidade para divulgar trabalho. “Divulgo minhas ideias, estudos e pesquisas nas áreas onde atuo, partilhando aquilo que é minha vida pública com as pessoas que se sensibilizam com o que escrevo e faço no dia a dia”.

O aposentado Hélio Maffei diz: “O Facebook é o correio eletrônico rápido. Ele leva e traz notícias, informações com uma velocidade inimaginável para quem é do tempo das cartas. É instantâneo”.  


Rede social no trabalho deve obedecer a regras

Qual a postura adequada do funcionário ao utilizar a Internet no ambiente de trabalho e qual a conduta do empregador na hora decidir sobre dificultar ou não acessos?

Para a psicóloga com atuação em gestão de pessoal, Flávia Trindade Concer, é preciso identificar o contexto, a função a ser executada e a maturidade da equipe para definir a conduta mais adequada. “Com a análise do contexto e da função da empresa é possível identificar os prós e contras de acesso a plataformas como o Facebook, whatsapp e youtube. É inegável que esses acessos geram certa distração nos funcionários e para cargos que envolvem periculosidade e atendimento ao cliente diretamente. Nesses casos deve haver tolerância zero durante o expediente, liberando o uso nos intervalos’, aborda.

Porém, para cargos onde o acesso significa oportunidade de negócio e de comunicação para a atividade, a política de acesso tem relação com resultado. “O consultor comercial, por exemplo, precisa dessas ferramentas para o contato mais ágil e com menor custo. Acesso é sinônimo de oportunidade online, objetiva de negócio nesse caso. Mas é fundamental que a empresa oriente quanto aos limites e monitore o respeito a essa política. Mas não vejo que o bloqueio ao acesso resolva. Se as regras de conduta e acesso forem claras, a rede não vai atrapalhar”, pondera.

Flávia Trintade sugere, de outro lado, que as empresas contem com profissionais para análise de acessos. “A política de acesso e de uso deve estar concentrada no foco da empresa, no tipo de negócio”, cita.

Entre os empreendedores, a psicóloga conta que a tendência tem sido a liberação do uso de comunicação digital ou por internet apenas em intervalos. “É o que estamos observando como comportamento entre representantes da indústria, comércio e mesmo estabelecimentos de serviços, como academias, dentistas, bares. A dificuldade do empresário está exatamente em garantir os limites para o uso saudável. E o uso afeta a produtividade. Não são incomuns os casos de perda do emprego por falta de responsabilidade e de limites no uso dessas ferramentas pelos empregados. A maioria tem liberado o uso apenas em intervalos”, menciona.